Um Dolphin Mini branco saiu da linha de montagem em Camaçari nesta quinta-feira, 16 de julho. Ele não é um carro qualquer. Esse hatch elétrico marca a unidade 100 mil produzida pela BYD no Brasil. Nove meses.
Foi esse o tempo que a montadora chinesa levou para chegar lá, desde a inauguração oficial da fábrica instalada na antiga área da Ford, na Bahia. O ritmo já esbarra no limite da primeira fase do projeto, planejada para 150 mil veículos por ano.
Como a BYD chegou a 100 mil carros tão rápido?
A conta é simples. Nove meses, 100 mil unidades, média de 11,1 mil carros por mês.
Isso equivale a um ritmo anualizado de cerca de 133 mil veículos. O número não reflete a velocidade exata da linha hoje (a fábrica começou pequena e ganhou turnos ao longo do caminho), mas mostra a operação encostando no teto teórico da primeira etapa.
- Fábrica instalada na antiga planta da Ford, em Camaçari (BA)
- Inauguração oficial em outubro de 2025
- Capacidade inicial projetada: 150 mil veículos/ano
- Meta futura: 300 mil unidades anuais, podendo chegar a 600 mil com todas as fases prontas
A unidade monta três modelos: o elétrico Dolphin Mini, o sedã híbrido King e o SUV híbrido plug-in Song Pro.
Por que o Dolphin Mini virou o símbolo da marca no Brasil?
Não foi acaso a BYD escolher esse modelo para marcar a unidade 100 mil. O compacto já é o carro mais vendido da história recente da marca no país.
- Mais de 86 mil unidades vendidas desde o lançamento
- Líder de vendas do varejo nacional por cinco meses seguidos em 2026
- Mais de 35 mil unidades vendidas só neste ano
- Em fevereiro, foi o carro mais vendido do varejo brasileiro, com 4.094 emplacamentos — à frente de modelos a combustão
No primeiro semestre de 2026, a BYD emplacou 98.655 veículos no Brasil. Isso a colocou como a quarta maior marca do segmento, com participação de quase 9% do mercado.
A fábrica cresceu na mesma velocidade que a produção?

Cresceu. E bastante.
Em outubro de 2025, a BYD tinha pouco mais de 1,5 mil funcionários em Camaçari. Nove meses depois, esse número saltou para cerca de 5,7 mil trabalhadores, divididos em três turnos.
- 86% dos funcionários são baianos
- 52% moram no próprio município de Camaçari
- Segundo turno começou em março, com a entrada de 800 novos trabalhadores
- Terceiro turno já está ativo, sinalizando ritmo mais forte no segundo semestre
Wang Chuanfu, fundador da BYD, afirmou durante a inauguração que o complexo pode chegar a 600 mil veículos por ano quando todas as etapas do projeto estiverem concluídas.
A produção no Brasil já é 100% nacional?
Ainda não. E essa é a parte que poucos comentam.
A linha em Camaçari opera no regime SKD: conjuntos parcialmente desmontados chegam da China e são finalizados na fábrica baiana. A BYD já afirmou que pretende ampliar o uso de peças locais e avançar para etapas mais completas de soldagem e pintura — mas isso ainda é um processo em curso, não um ponto de chegada.
Quanto mais fornecedores brasileiros entrarem na cadeia, maior tende a ser o impacto em empregos indiretos e arrecadação. É esse próximo passo que vai definir o peso real do projeto para a indústria nacional.
Em menos de quatro anos de atuação forte no mercado de passeio, a BYD já superou 300 mil veículos vendidos no Brasil. O Dolphin Mini de número 100 mil é só a ponta visível de uma mudança maior: os elétricos chineses deixaram de ser nicho e agora pressionam preços, produtos e investimentos de toda a indústria automotiva do país.


