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Domingo sem supermercado em Minas? Experiência pode colocar R$ 2,7 bilhões em jogo

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O fechamento dos supermercados aos domingos no Espírito Santo virou o primeiro teste concreto para uma discussão que também chegou a Minas Gerais. Um estudo da Associação Capixaba de Supermercados aponta que os supermercados capixabas registraram queda de até 2% nas vendas depois da mudança, embora parte do impacto tenha sido compensada por redução de custos. O dado reacende o debate em Minas, onde tramita na Assembleia Legislativa um projeto que tenta proibir a abertura de supermercados, hipermercados e similares aos domingos.

A experiência capixaba importa porque não é mais uma disputa apenas de opinião. Desde 1º de março, os supermercados do Espírito Santo passaram a fechar aos domingos por força da convenção coletiva do setor. A medida vale até 31 de outubro e alcança mais de 1.500 estabelecimentos nos 78 municípios do estado, incluindo hipermercados, supermercados, atacarejos, mercearias e hortifrutis.

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Em Minas, o tema tem outro tamanho. O varejo supermercadista mineiro deve movimentar mais de R$ 139 bilhões em 2026, segundo projeção da Associação Mineira de Supermercados. Mesmo com previsão de crescimento de 3,45%, o setor já espera abrir menos lojas neste ano: cerca de 80 unidades, contra 102 em 2025.

Se uma queda de 2% fosse aplicada apenas como exercício sobre esse mercado, o valor bruto em risco passaria de R$ 2,7 bilhões em um ano. Não é uma previsão para Minas, porque os hábitos de consumo, a escala das redes, as convenções e a renda dos estados são diferentes. Mas a conta mostra por que a decisão não pode ser tratada como medida simples.

Por que a queda de vendas pesa para Minas

Homem fazendo compras no supermercado
Rede de supermercados – por drazenphoto – Envato

A queda de até 2% no Espírito Santo pode parecer pequena em uma leitura rápida. No varejo alimentar, porém, margens são apertadas, custos de energia, folha, aluguel, logística e perdas são altos, e o giro diário faz diferença. Supermercado não vende apenas produto; vende conveniência, rotina e proximidade.

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O domingo não é igual aos outros dias da semana. Para muitas famílias, é o dia da compra maior, da reposição de última hora, da ida ao atacarejo, da compra depois da igreja, do churrasco, do almoço em família ou do abastecimento antes da semana de trabalho. Parte desse consumo migra para sábado ou segunda-feira. Outra parte simplesmente se perde, muda de canal ou vai para estabelecimentos não alcançados pela regra.

Em Belo Horizonte e na Região Metropolitana, essa dinâmica é ainda mais forte. Redes como Supermercados BH, Mart Minas, EPA, Supernosso, Villefort, Apoio Mineiro, Carrefour, Assaí e Atacadão disputam consumidores que nem sempre conseguem comprar em horário comercial durante a semana. Para quem trabalha de segunda a sábado, o domingo pode ser a única janela real para fazer compra com calma.

Minas também tem redes de peso nacional. O Ranking ABRAS 2026 colocou oito empresas mineiras entre as 40 maiores do país. O Supermercados BH aparece como a quarta maior rede do Brasil, com faturamento de R$ 25,7 bilhões. O Mart Minas e Dom Atacadista estão em décimo, com R$ 12,5 bilhões. Também aparecem Martins, Grupo DMA, ABC, Supernosso, Bahamas e Villefort.

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Quando uma regra atinge esse ecossistema, o efeito não fica restrito ao caixa da loja. A cadeia envolve fornecedores, produtores rurais, transportadoras, indústrias de alimentos, empresas de limpeza, segurança, tecnologia, promotores de venda, padarias internas, açougues, hortifrúti e centros de distribuição.

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Fhilipe Pelájjio
Fhilipe Pelájjiohttps://moonbh.com.br/fhilipe-pelajjio/
Publicitário, jornalista e pós-graduado em marketing, é editor do Moon BH e do Jornal Aqui de BH e Brasília. Já foi editor do Bhaz, tem passagem pela Itatiaia e parcerias com R7, Correio Braziliense e Estado de Minas. Especialista na cobertura de política, economia de Minas Gerais e de futebol e sua influência econômica e política.