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A cidade mineira que fabrica helicópteros para todo Brasil e a França está de olho

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Itajubá fica no Sul de Minas, cercada pela Serra da Mantiqueira, universidades, indústrias e uma tradição forte em engenharia. À primeira vista, não é a cidade que muita gente imaginaria quando pensa em helicópteros, defesa, aviônica e alta tecnologia. Mas é ali que funciona a Helibras, subsidiária da Airbus Helicopters e uma das operações industriais mais raras do Brasil.

A fábrica mineira produz helicópteros civis e militares, faz manutenção, modernização, customização e suporte para aeronaves que voam em missões de segurança, defesa, resgate, transporte executivo, óleo e gás e operações governamentais. Em um país acostumado a associar Minas à mineração, ao café, ao aço e ao agronegócio, Itajubá mostra uma outra face da economia mineira: a indústria que trabalha com tecnologia que voa.

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A própria história da cidade ajuda a explicar essa vocação. Itajubá abriga a Universidade Federal de Itajubá, referência em engenharia, e desenvolveu ao longo de décadas um ambiente favorável para empresas de base tecnológica. A chegada da Helibras, inaugurada no município em 1980, transformou essa competência local em um ativo industrial de alcance nacional.

O Senado chegou a analisar projeto para reconhecer Itajubá como Capital Nacional da Produção de Helicópteros, justamente pela presença da fábrica e pela formação de mão de obra ligada ao setor aeronáutico.

A Helibras nasceu em 1978 e se consolidou em Minas dois anos depois. Desde então, deixou de ser apenas uma montadora instalada no interior e passou a ocupar um espaço estratégico na cadeia aeroespacial brasileira. Hoje, a unidade de Itajubá produz aeronaves como o H125 e o H225, nas versões civil e militar, além de realizar serviços de montagem, manutenção, retrofit e customização para diferentes modelos da Airbus Helicopters.

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A fábrica que colocou Itajubá na rota da aviação

Fábrica Helibrás em Minas Gerais
Helicóptero da Helibras – Foto: Divulgação

O peso da Helibras não está apenas no símbolo de ter uma fábrica de helicópteros em Minas. Está no tipo de conhecimento que essa operação exige. Um helicóptero não sai de uma linha de montagem comum. Ele envolve mecânica de precisão, aviônica, sistemas embarcados, engenharia, certificações, inspeções rígidas, testes, documentação técnica e uma rede permanente de manutenção.

Esse é o tipo de indústria que cria empregos diferentes dos setores tradicionais. Em volta de uma fábrica como a de Itajubá, há engenheiros, mecânicos aeronáuticos, especialistas em eletrônica, técnicos de manutenção, profissionais de qualidade, equipes de suporte, instrutores e fornecedores preparados para lidar com equipamentos de alto valor e alto risco.

Os números dão dimensão desse papel. A Helibras já entregou mais de 850 helicópteros no Brasil, com cerca de 700 ainda em operação. A empresa ocupa posição de liderança no mercado brasileiro de helicópteros a turbina e tem presença especialmente forte no segmento parapúblico, que inclui missões de segurança pública, bombeiros, resgate, defesa civil e operações governamentais. A operação emprega mais de 530 profissionais diretamente e ajuda a sustentar mais de 3 mil postos indiretos no ecossistema aeroespacial.

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Essa presença é decisiva porque helicópteros não geram apenas uma venda pontual. Depois que uma aeronave entra em operação, ela exige manutenção, peças, treinamento, atualização técnica, revisões e suporte por muitos anos. A fábrica, nesse sentido, funciona também como uma base de serviços para uma frota que opera em várias regiões do país.

Itajubá, portanto, não abriga apenas uma indústria curiosa. Abriga uma estrutura que conecta Minas a forças de segurança, Forças Armadas, operadores privados, empresas de transporte, setor offshore e missões de emergência. É uma cadeia pequena em comparação com a mineração ou o agronegócio, mas muito mais sofisticada do ponto de vista tecnológico.

Helicóptero não é só luxo ou transporte executivo

Quando o assunto é helicóptero, a imagem mais comum no Brasil ainda é a do transporte executivo em São Paulo ou em grandes centros. Esse é apenas um pedaço do mercado. A frota atendida pela Helibras também está em operações de resgate, policiamento, combate a incêndios, transporte aeromédico, defesa, patrulhamento, missões militares e apoio a plataformas de petróleo.

Essa diversidade ajuda a entender por que uma fábrica de helicópteros tem valor estratégico. Em situações de enchente, deslizamento, incêndio, salvamento em área remota ou operação policial, o helicóptero muitas vezes chega onde carro, ambulância ou caminhão não conseguem chegar. No setor militar, ele é parte da capacidade de mobilidade e resposta do país. No setor privado, pode ser peça essencial em operações offshore, inspeções e deslocamentos de alta complexidade.

H145 pode abrir uma nova fase

Helicoptero da Helibras
Foto: Divulgação – Helibrás

A fábrica de Itajubá também aparece em uma possível nova etapa da parceria industrial entre Brasil e França. Em 2025, os dois países assinaram uma carta de intenções para a produção do helicóptero H145, modelo usado em missões aeromédicas, segurança pública, busca e salvamento, transporte executivo e operações especiais.

A expectativa anunciada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços era de investimento de R$ 1 bilhão e produção de até 200 unidades ao longo de 15 anos, com foco também em exportação.

É por isso que a história da Helibras merece ser contada como parte da economia mineira, não apenas como curiosidade industrial. O estado costuma olhar para seus grandes símbolos produtivos — minério, energia, café, siderurgia, construção, varejo — mas Itajubá lembra que Minas também abriga uma indústria de alta complexidade, conectada a tecnologia, soberania e serviços especializados.

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Fhilipe Pelájjio
Fhilipe Pelájjiohttps://moonbh.com.br/fhilipe-pelajjio/
Publicitário, jornalista e pós-graduado em marketing, é editor do Moon BH e do Jornal Aqui de BH e Brasília. Já foi editor do Bhaz, tem passagem pela Itatiaia e parcerias com R7, Correio Braziliense e Estado de Minas. Especialista na cobertura de política, economia de Minas Gerais e de futebol e sua influência econômica e política.