Produtores rurais de Minas Gerais têm até esta sexta-feira, 26 de junho, para entrar na disputa por projetos de energia solar com baterias financiados pelo programa Cemig Agro Solar 24h. A iniciativa prevê até R$ 50 milhões para implantação de sistemas fotovoltaicos associados a armazenamento em propriedades rurais do estado.
O edital faz parte do Programa de Eficiência Energética da Cemig, regulado pela Aneel, e é realizado em parceria com o Cemig Agro. O processo seletivo deve ser concluído em 31 de agosto, quando a companhia terá analisado documentação, critérios técnicos e viabilidade dos projetos apresentados.
O diferencial do programa está nas baterias. Minas já tem forte presença de energia solar, tanto em grandes usinas quanto em telhados, comércios e propriedades rurais. O problema é que o campo não precisa de energia apenas quando o sol aparece. Ordenha, irrigação, refrigeração, granjas, suinocultura e agroindústrias dependem de fornecimento contínuo, independentemente do horário.
Como funciona o bônus para sistemas com armazenamento
O programa prevê bônus mínimo de 60% para aquisição de usinas fotovoltaicas e sistemas de armazenamento. Na prática, o produtor contemplado poderá gerar energia durante o dia. Ele também poderá guardar parte dessa produção em baterias. Assim, poderá usar o recurso em outros horários. Isso amplia a autonomia energética da propriedade rural.
As propostas podem ser apresentadas por empresas especializadas, ESCOs, associações e instituições públicas ou privadas interessadas em desenvolver soluções para o setor rural. O edital não é uma inscrição simples feita individualmente por qualquer produtor sem estrutura técnica, mas um processo seletivo voltado a projetos estruturados. Isso abre espaço para cooperativas, associações de produtores, integradores solares, fornecedores de baterias e instituições ligadas ao agronegócio.
A participação por meio de associações pode ser particularmente relevante para pequenos e médios produtores, já que sistemas com bateria ainda têm custo elevado. Quando a iniciativa passa por um grupo organizado, fica mais fácil reunir demanda, elaborar projeto técnico e cumprir as exigências do edital.
Por que a bateria muda o uso da energia solar no campo

A energia solar já se espalhou por Minas porque reduz custo e aproveita uma vantagem natural do estado: a alta incidência de sol em várias regiões. Sem armazenamento, porém, o sistema fica limitado. Ele gera mais durante o dia e depende da rede elétrica convencional quando não há produção solar suficiente.
No campo, essa dependência pode gerar prejuízo direto. Uma queda de energia durante a ordenha pode comprometer a rotina de uma fazenda leiteira. Um sistema de irrigação parado em período de seca pode afetar a lavoura inteira. Uma granja sem ventilação ou refrigeração adequada pode ter perdas rápidas no plantel. Em agroindústrias, interrupções comprometem processamento, armazenagem e segurança alimentar.
O armazenamento permite que a energia produzida nos horários de maior geração solar seja utilizada em momentos de menor incidência de sol ou de maior necessidade operacional. Em regiões rurais onde oscilações e interrupções de fornecimento ainda são frequentes, essa estabilidade adicional pode representar diferença concreta na rotina produtiva.
O impacto no custo de produção das principais cadeias agropecuárias
A energia é um dos custos que mais pesam sobre o produtor rural, presente em praticamente todas as etapas da atividade: bombear água, resfriar leite, alimentar equipamentos automatizados, conservar produtos e manter estruturas em funcionamento contínuo. Quando a conta de luz sobe ou o fornecimento falha, a margem do produtor se estreita ainda mais. Isso ocorre em um cenário já pressionado por juros altos e crédito mais caro.
No leite, uma das cadeias mais importantes do estado, os produtores já enfrentam pressão de preço, custo de ração e necessidade de ganho de produtividade. A energia confiável para resfriamento e ordenha mecânica entra diretamente nessa equação. Em granjas de avicultura e suinocultura, o controle de temperatura é decisivo para a saúde do plantel. Além disso, na irrigação, cada vez mais relevante em regiões sujeitas a calor intenso e veranicos prolongados, a energia previsível pode definir se uma lavoura fecha a conta no fim da safra.
Se a combinação entre energia solar e armazenamento conseguir reduzir custos, evitar perdas operacionais e oferecer mais segurança ao produtor, a tecnologia tem potencial para sair do nicho experimental. Assim, pode entrar no planejamento de propriedades rurais mais modernizadas.
O que vem depois do prazo de inscrição
Minas Gerais já figura entre os principais estados do país em potência solar instalada, e o campo entrou nessa onda nos últimos anos, com propriedades adotando painéis para reduzir a conta de luz e ganhar autonomia. O passo seguinte, que o programa da Cemig busca testar, é melhorar o aproveitamento dessa energia ao longo de todo o dia. Isso deve ocorrer não apenas no período de maior incidência solar.
As baterias ainda têm custo elevado, mas vêm entrando no radar de políticas públicas, distribuidoras de energia e empresas do setor. O edital da Cemig não resolve sozinho o desafio energético do campo mineiro. Entretanto, contribui para criar projetos concretos, medir resultados práticos e identificar em quais contextos a tecnologia de armazenamento faz mais sentido econômico.
Com o prazo de inscrições terminando nesta sexta-feira, a chamada entra em fase decisiva. A partir de agora, o que vai determinar o sucesso da iniciativa é a execução. Será importante saber quais propostas serão selecionadas, que perfil de produtor será efetivamente atendido e se as baterias conseguirão entregar, na prática, a segurança energética prometida no edital.
A Cemig informou que o processo teve retificações no cronograma e nos documentos do edital. Por isso, interessados devem consultar a versão atualizada do regulamento no sistema oficial da chamada antes de submeter propostas.





