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A gigante da moda que nasceu em BH virou palco de uma briga no topo

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Uma empresa com raiz em Belo Horizonte entrou no centro de uma das disputas mais observadas do varejo de moda brasileiro. A Azzas 2154, criada a partir da fusão entre Arezzo&Co e Grupo Soma, nasceu como promessa de maior grupo de moda da América Latina. Menos de dois anos depois, virou também sinônimo de tensão no alto escalão.

A origem mineira está na Arezzo. A marca foi fundada em 1972, em Belo Horizonte, por Anderson Birman e Jefferson Birman, primeiro com foco em calçados masculinos e depois no público feminino. Décadas mais tarde, a companhia se transformou em uma plataforma de marcas, abriu capital, comprou negócios e chegou à fusão com o Soma, grupo carioca por trás de nomes como Farm, Animale, Hering e Maria Filó.

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O encontro parecia fazer sentido no papel. De um lado, a Arezzo tinha força em calçados, bolsas, franquias e gestão de marcas. Do outro, o Soma trazia vestuário, moda feminina, Hering e a expansão internacional da Farm. A união, concluída em 2024, criou uma companhia com dezenas de marcas, milhares de colaboradores e presença relevante no varejo físico, digital e em multimarcas.

O problema é que a combinação de portfólios não resolveu a parte mais sensível de qualquer fusão: quem manda, como manda e até onde vai a autonomia de cada bloco.

De BH para o maior grupo de moda da América Latina

A Azzas 2154 se apresenta como o maior grupo de moda da América Latina, com 28 marcas e 22 mil talentos. No portfólio estão nomes de peso em segmentos diferentes, como Arezzo, Schutz, Anacapri, Vans, Farm, Animale, Hering, Reserva e Oficina.

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A fusão foi concluída em julho de 2024 e as ações passaram a ser negociadas na B3 sob o ticker AZZA3. Na época, a companhia falava em uma plataforma capaz de combinar escala, criatividade, marcas fortes e presença nacional. Havia também expectativa de sinergias, ganhos operacionais e uma estrutura capaz de competir melhor em um mercado pressionado por juros altos, consumo seletivo e avanço de marcas digitais.

O caso chamava atenção porque juntava dois estilos empresariais. Alexandre Birman, ligado à trajetória da Arezzo, assumiu o comando executivo da nova empresa. Roberto Jatahy, um dos nomes centrais do Grupo Soma, ficou associado principalmente ao bloco de marcas de moda e lifestyle, com destaque para Farm e Animale.

A convivência entre esses dois mundos virou a parte mais delicada da história. O que era vendido como complementaridade passou a ser acompanhado pelo mercado como risco de governança.

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A briga que mexeu com a Bolsa

O desgaste entre Alexandre Birman e Roberto Jatahy ganhou espaço no noticiário econômico nos últimos meses. Reportagens apontaram divergências sobre gestão, reorganização de marcas, autonomia de executivos e até a possibilidade de uma separação de ativos.

A companhia já negou formalmente que seus acionistas de referência mantenham negociação sobre cisão ou separação do grupo. Em resposta ao mercado, a Azzas afirmou que não havia qualquer negócio celebrado entre os principais sócios e que conversas sobre governança poderiam resultar em ajustes, mas não significavam rompimento definido.

Grupo Azzas 2154
Foto: Divulgação

Mesmo assim, o ruído ficou. Em empresas listadas, governança também é preço. Quando investidores não entendem quem decide, qual estratégia prevalece e como a integração será conduzida, a ação costuma sentir.

O caso da Azzas ficou ainda mais sensível porque a fusão era recente. O mercado ainda tentava medir se a combinação Arezzo-Soma funcionaria quando os sinais de desalinhamento chegaram ao centro da discussão.

A ação AZZA3 passou por forte desvalorização desde a estreia da nova companhia. Parte dessa queda tem relação com o cenário macroeconômico e com resultados operacionais mais fracos. Mas a crise de governança ampliou a desconfiança.

Resultado fraco aumentou a pressão

A disputa no topo não aconteceu em um momento confortável. No primeiro trimestre de 2026, a Azzas 2154 registrou lucro líquido de R$ 63,9 milhões, queda de 45,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. A receita líquida somou R$ 2,479 bilhões, recuo de 8%.

A empresa atribuiu parte do desempenho à retração nas vendas para franquias e multimarcas, dentro de uma estratégia de reequilíbrio de estoques. Em varejo de moda, esse ajuste é importante. Estoque errado vira desconto, queima margem e prejudica percepção de marca.

Ainda assim, os números colocaram mais pressão sobre a administração. Em uma companhia recém-fundida, o investidor espera ver integração, corte de sobreposição, ganho de escala e melhora progressiva. Quando o resultado vem fraco e o comando parece dividido, a leitura piora.

A Farm aparece como um dos principais ativos de crescimento do grupo, especialmente pela expansão internacional. Esse também é um ponto de tensão, porque a marca está associada ao antigo Grupo Soma e tem trajetória própria, muito diferente da lógica de calçados e franquias que marcou a Arezzo.

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Fhilipe Pelájjio
Fhilipe Pelájjiohttps://moonbh.com.br/fhilipe-pelajjio/
Publicitário, jornalista e pós-graduado em marketing, é editor do Moon BH e do Jornal Aqui de BH e Brasília. Já foi editor do Bhaz, tem passagem pela Itatiaia e parcerias com R7, Correio Braziliense e Estado de Minas. Especialista na cobertura de política, economia de Minas Gerais e de futebol e sua influência econômica e política.