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Itaú e Santander fecham agências em massa em MG e concorrente toma o espaço

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Minas Gerais está vivendo uma mudança silenciosa no mapa financeiro. Enquanto bancos tradicionais fecham agências em cidades do interior e reduzem presença física também em Belo Horizonte, cooperativas de crédito ocupam parte do espaço deixado para trás e se tornam, em muitos municípios, a principal porta de entrada para atendimento presencial, crédito e relacionamento financeiro.

Segundo levantamento do Diário do Comércio, Entre abril de 2024 e abril de 2026, o estado perdeu 254 agências bancárias, queda de 15,7%. Em Belo Horizonte, a retração foi ainda mais intensa: 83 unidades foram fechadas no período, recuo de 26,3%. Hoje, 449 dos 853 municípios mineiros não contam com nenhuma agência bancária física tradicional, sem considerar lotéricas, correspondentes, caixas eletrônicos ou postos alternativos.

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O movimento apareceu de forma simbólica na semana passada, quando o Itaú encerrou atividades presenciais em Itaú de Minas, cidade que inspirou o nome do banco após a fusão que deu origem à marca, e também fechou agência em Guaxupé. No recorte de dois anos, o Itaú foi o banco que mais reduziu presença no estado, com 100 unidades fechadas. Santander, Caixa, Bradesco e Banco do Brasil também enxugaram suas redes.

A justificativa dos grandes bancos passa pela digitalização. Pix, aplicativos, internet banking, biometria, crédito pelo celular e atendimento remoto mudaram a lógica do setor. Para milhões de clientes, quase tudo pode ser feito sem entrar em uma agência. Para as instituições, manter imóveis, equipes, caixas e estrutura física em cidades pequenas ficou menos atraente.

Mas a saída dos bancos não afeta todos da mesma forma. Jovens bancarizados, com smartphone e acesso à internet, conseguem migrar com mais facilidade para o app. Idosos, pequenos comerciantes, produtores rurais, beneficiários de programas sociais e pessoas com menor familiaridade digital ainda dependem do atendimento presencial para resolver problemas, contratar crédito, renegociar dívidas ou simplesmente entender qual produto financeiro faz sentido. É nesse vácuo que as cooperativas crescem.

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Cooperativas de crédito avançam onde os bancos recuam

Minas já tem uma das redes cooperativas mais fortes do país. O levantamento citado pelo Diário do Comércio aponta 1.698 pontos de atendimento cooperativo no estado, alta de 40,9% sobre 2020, com presença em 697 municípios, ou 81,7% das cidades mineiras. O Anuário Ocemg mais recente já mostra avanço ainda maior, com cooperativas de crédito presentes em 720 municípios, 84,4% do estado.

Sicrdit e Siccob
Foto: Reprodução

Na prática, nomes como Sicoob, Sicredi, Cresol e cooperativas locais passaram a exercer um papel que antes era quase exclusivo dos bancos tradicionais. Em muitas cidades, elas oferecem conta, cartão, crédito rural, financiamento, capital de giro, máquinas de pagamento, consórcio, seguros, aplicações e atendimento de gerente.

A diferença está no modelo. Cooperativas são instituições financeiras formadas por associados. Em vez de operar apenas com a lógica de cliente e banco, funcionam com participação dos cooperados, assembleias, distribuição de sobras e atuação regional. Isso não elimina cobrança de taxas, análise de crédito ou exigência de garantias, mas cria uma relação mais próxima com a comunidade local.

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No interior, essa proximidade pesa. Um produtor rural que precisa financiar irrigação, custeio, compra de insumos ou maquinário muitas vezes depende de orientação presencial. Um mercadinho que precisa de capital de giro quer falar com alguém que conheça a cidade, o fluxo do comércio e a sazonalidade local. Uma prefeitura pequena, uma associação ou uma cooperativa agropecuária também podem se beneficiar de uma instituição que mantém gente na praça.

Os números mostram a escala dessa mudança. As cooperativas de crédito movimentaram R$ 83,2 bilhões em Minas em 2024. No crédito rural, concederam R$ 13,7 bilhões, avanço expressivo em relação aos R$ 4,4 bilhões registrados em 2020.

Esse crescimento ajuda a explicar por que o fechamento de agências não significa simplesmente o fim do atendimento presencial. Significa uma troca de protagonismo. O banco tradicional encolhe a estrutura física porque aposta no digital e na escala nacional. A cooperativa abre ou mantém posto porque enxerga valor no relacionamento local.

Isso não significa que os bancos tradicionais deixarão de ser relevantes. Eles continuam dominando grande parte do sistema financeiro, têm tecnologia, capital, crédito, marca e escala. Mas a presença territorial mudou. O balcão que antes carregava os nomes de Itaú, Bradesco, Santander, Caixa e Banco do Brasil começa a dividir espaço, em muitas cidades, com cooperativas que cresceram apoiadas em atendimento local e relacionamento.

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Fhilipe Pelájjio
Fhilipe Pelájjiohttps://moonbh.com.br/fhilipe-pelajjio/
Publicitário, jornalista e pós-graduado em marketing, é editor do Moon BH e do Jornal Aqui de BH e Brasília. Já foi editor do Bhaz, tem passagem pela Itatiaia e parcerias com R7, Correio Braziliense e Estado de Minas. Especialista na cobertura de política, economia de Minas Gerais e de futebol e sua influência econômica e política.

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