A BlackRock aumentou sua participação na Usiminas (USIM5) e passou a deter pouco mais de 5% das ações preferenciais da siderúrgica mineira. A informação foi divulgada pela companhia nesta segunda-feira, em comunicado ao mercado.
Segundo a Usiminas, a gestora norte-americana informou que, em 27 de maio, suas participações somavam 27.696.124 ações preferenciais e 12.632 ADRs, equivalentes a 17.462 ações preferenciais. No total, a posição representa 27.713.586 ações preferenciais, ou aproximadamente 5,059% dessa classe de papéis.
Além da participação direta, a BlackRock também informou possuir 28.226.617 instrumentos financeiros derivativos referenciados em ações preferenciais da Usiminas, o equivalente a cerca de 5,153% do total de ações preferenciais emitidas pela companhia.
A gestora afirmou que a participação tem objetivo estritamente de investimento e que não pretende alterar o controle acionário ou a estrutura administrativa da empresa.
Usiminas volta ao radar em momento sensível do aço
O aumento de posição ocorre em um período de atenção maior ao setor siderúrgico brasileiro. A Usiminas é uma das principais produtoras de aço plano do país e tem forte peso econômico em Minas Gerais, especialmente no Vale do Aço, onde sua operação em Ipatinga está ligada à formação industrial da região.
O movimento da BlackRock não significa, por si só, uma mudança no comando da companhia. Trata-se de uma comunicação obrigatória ao mercado sobre participação relevante. Ainda assim, o avanço de uma das maiores gestoras de recursos do mundo chama atenção porque ocorre em uma empresa exposta a um setor que atravessa pressão de importações, custos industriais e discussões sobre defesa comercial.
A siderurgia brasileira vem cobrando medidas contra a entrada de produtos importados, principalmente da Ásia, em meio à preocupação com excesso de capacidade produtiva global e preços mais competitivos.
Pressão chinesa segue no centro da discussão
A concorrência com o aço importado permanece como um dos principais temas para a indústria nacional. Em fevereiro, as importações de aço cresceram 22% em relação a janeiro e somaram 629 mil toneladas, segundo dados divulgados pelo Instituto Aço Brasil.
No mesmo período, a produção brasileira de aço bruto caiu 7,9%, para 2,5 milhões de toneladas. O avanço das importações foi puxado principalmente por produtos laminados, que representaram a maior parte do volume que entrou no país.
O governo federal também tem adotado medidas de defesa comercial. Em janeiro, o Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior aprovou direitos antidumping para importações de aços pré-pintados provenientes da China e da Índia, além de elevar tarifas de importação para mais nove códigos do setor siderúrgico, que passaram a 25% por 12 meses.
Esse ambiente ajuda a explicar por que o mercado acompanha a Usiminas com atenção. A companhia depende do desempenho da indústria, do consumo de aço plano, da demanda automotiva e da evolução das medidas de proteção ao mercado interno.
Resultado recente mostrou melhora operacional
A Usiminas divulgou em abril os resultados do primeiro trimestre de 2026 com avanço em indicadores importantes. O lucro líquido chegou a R$ 896 milhões, alta de 596% em relação ao quarto trimestre de 2025 e de 166% na comparação com o mesmo período do ano anterior.
O Ebitda ajustado consolidado foi de R$ 653 milhões, crescimento de 56% frente ao trimestre anterior. A margem Ebitda ficou em 11%, ante 7% no quarto trimestre.
A receita líquida, porém, caiu para R$ 5,9 bilhões, queda de 5% em relação ao trimestre anterior e de 14% na comparação anual. A companhia atribuiu o recuo principalmente às unidades de siderurgia e mineração.
Na unidade de siderurgia, a produção de aço bruto foi de 729 mil toneladas no primeiro trimestre, queda de 7% em relação ao quarto trimestre de 2025 e de 6% frente ao primeiro trimestre do ano anterior. As vendas somaram 1,007 milhão de toneladas, também em queda nas duas comparações.
Mercado observa defesa comercial e demanda interna
A Usiminas informou que o primeiro trimestre foi marcado por mudanças na dinâmica comercial do aço no Brasil. A empresa citou medidas antidumping sobre importações de aços laminados a frio e revestidos, além da expectativa sobre a investigação de laminados a quente da China.
Para a companhia, o ambiente segue desafiador, com vendas de aço ainda pressionadas pelo alto nível de importação observado no início do ano. Ao mesmo tempo, a empresa destacou melhora no mix de produtos, redução de custos e desempenho positivo no segmento automotivo.
Esses fatores ajudam a explicar por que a entrada da BlackRock no patamar acima de 5% ocorre em um momento de leitura dividida. De um lado, a Usiminas mostra recuperação operacional e balanço mais forte. De outro, segue exposta à competição externa e à volatilidade da indústria global do aço.
Movimento tem impacto simbólico para Minas
Para Minas Gerais, a movimentação também tem peso econômico. A Usiminas é uma das companhias mais tradicionais do estado, com presença histórica no Vale do Aço e papel relevante na cadeia industrial mineira.
A presença maior da BlackRock não altera a gestão da empresa, segundo a própria gestora. Mas reforça a exposição de investidores internacionais a uma companhia que está diretamente ligada à indústria de base brasileira.
O comunicado não muda, sozinho, o cenário da Usiminas. O que ele faz é colocar a siderúrgica novamente no radar do mercado, em um momento em que a indústria nacional discute proteção contra importações, retomada de margens e competitividade frente ao aço asiático.


