A Cemig consolidou o maior ciclo de investimentos de sua história ao confirmar o aporte de R$ 6,7 bilhões para a infraestrutura elétrica de Minas Gerais em 2026. O montante sucede os R$ 6,6 bilhões aplicados em 2025. Portanto, o biênio totaliza R$ 13,3 bilhões destinados à modernização do sistema. Embora a distribuição de energia absorva a maior fatia dos recursos, o plano estratégico da companhia coloca a transmissão como peça central. Isso é importante para destravar o crescimento industrial e a integração de fontes renováveis no estado.
A estratégia busca capturar a expansão da demanda por energia em setores como mineração e agronegócio. Além disso, pretende preparar a rede para um cenário de geração descentralizada e digital.
O reforço na “espinha dorsal” do sistema
Para a frente de transmissão, a Cemig reservou R$ 632 milhões em 2026. Isso faz parte de um plano plurianual que prevê R$ 5,7 bilhões em investimentos neste setor até 2030. Diferente da distribuição, que lida com a ponta final do consumo, a transmissão funciona como a rede de alta tensão que integra as usinas aos grandes centros. Assim, garante a estabilidade do fluxo elétrico.
Os recursos serão aplicados em:
- Modernização de subestações: Atualização tecnológica de ativos para suportar maiores cargas.
- Reforço da malha: Ampliação de linhas existentes para eliminar gargalos técnicos no escoamento de energia.
- Resiliência do sistema: Instalações preparadas para mitigar falhas em cascata e aumentar a confiabilidade operacional.
Este movimento é considerado vital para Minas Gerais, que lidera o ranking nacional de geração distribuída (principalmente solar). Por isso, exige uma rede capaz de absorver fluxos bidirecionais e variáveis de energia.
Automação e a “fábrica digital” da rede
Além da infraestrutura física, a Cemig destina mais de R$ 100 milhões para a transformação digital em 2026. O objetivo é converter a malha elétrica em um sistema inteligente e monitorado em tempo real. Os principais indicadores deste pacote tecnológico incluem:
- Medidores Inteligentes: Instalação de 1,5 milhão de unidades, permitindo leitura remota e gestão eficiente do consumo.
- Religadores Automatizados: Implantação de 3,6 mil equipamentos que permitem a recomposição do fornecimento em segundos. Isso ocorre sem necessidade de intervenção humana local em casos de falhas transitórias.
- Manutenção Preventiva: Investimento de R$ 438 milhões em ações de poda, limpeza de faixas e inspeções com drones em centenas de municípios. O objetivo é reduzir as interrupções causadas por fatores externos.
O desafio financeiro: Projeção de dívida até 2028
O ritmo agressivo de aportes reflete-se diretamente no balanço contábil da companhia. Para sustentar o ciclo de investimentos, relatórios de rating projetam um salto na dívida bruta da Cemig. A dívida deve oscilar entre R$ 22 bilhões e R$ 27 bilhões no período entre 2026 e 2028.
Em setembro de 2025, a dívida registrada era de R$ 15,4 bilhões. O mercado financeiro observa agora a capacidade da estatal em executar este volume histórico de obras. Também analisa se consegue manter a geração de caixa operacional. O sucesso da estratégia depende da conversão desses R$ 6,7 bilhões em eficiência técnica. Isso impacta diretamente a tarifa de energia e a capacidade de Minas Gerais atrair novos empreendimentos industriais.
Para o estado, o investimento sinaliza uma transição de modelo: a saída de uma gestão de manutenção de ativos para uma fase de expansão tecnológica. A robustez da rede de transmissão será, nos próximos anos, o principal diferencial competitivo para a economia mineira frente ao mercado nacional.


