Consumidores de unidades do Burger King em Minas Gerais começaram a observar uma mudança estrutural no balcão. Agora, há a substituição gradual do portfólio de bebidas da linha Pepsi (Ambev) por produtos da Coca-Cola, Fanta e Sprite. Embora a transição esteja sendo notada diretamente nos pontos de venda e repercutida em redes sociais, o movimento não é fruto de uma decisão isolada de marketing.
Na verdade, trata-se de uma profunda reorganização societária na Zamp, operadora da marca no Brasil. Além disso, Minas Gerais desponta como um dos mercados prioritários nessa mudança.
Para o mercado, a troca parece contraintuitiva devido à associação histórica entre o Burger King e o ecossistema empresarial da Ambev (vinculada aos fundadores da 3G Capital). No entanto, o desenho atual do negócio mostra que esse vínculo perdeu sua validade prática nos últimos anos. Principalmente isso ocorreu diante da expansão em Minas Gerais.
O fim da “Era Ambev” e o controle do Mubadala
O ponto central para compreender a mudança está na estrutura acionária da Zamp. Ao contrário do que dita o imaginário corporativo, o Burger King Brasil não é mais gerido pelo grupo original de acionistas da Ambev. Ao final de 2025, o fundo soberano de Abu Dhabi, Mubadala, consolidou o controle majoritário da Zamp com 85,5% do capital, conforme dados da área de Relações com Investidores da companhia. Portanto, essa reestruturação impacta diretamente o cenário de Minas Gerais.
Essa independência societária libera a Zamp para negociar contratos de exclusividade com fornecedores de bebidas baseando-se estritamente em critérios de rentabilidade, escala e preferência do consumidor. Isso ocorre sem a obrigação de manter alinhamento com a AB InBev (controladora global da Ambev).
Estratégia de operadora multimarcas: BK, Starbucks e Subway
A Zamp deixou de ser apenas a “dona do Burger King” para se tornar uma plataforma multimarcas de alimentação. Atualmente, o grupo opera no Brasil:
- Burger King
- Popeyes
- Subway
- Starbucks
Sob essa ótica, centralizar o fornecimento de bebidas em um único player como a Coca-Cola gera um ganho de escala sem precedentes. Ao negociar um volume global para todas as suas marcas, a Zamp aumenta seu poder de barganha. Além disso, simplifica a logística de suprimentos e padroniza a experiência do cliente em diferentes redes de fast-food. A Coca-Cola, por possuir uma rede de distribuição capilarizada e forte aceitação em combos de alimentação rápida, apresenta-se como a parceira comercialmente mais pragmática para esse novo momento da operadora em Minas Gerais.
O impacto da mudança no mercado mineiro
Minas Gerais é uma praça estratégica para a Zamp devido ao potencial de expansão para além do eixo Belo Horizonte-Contagem. A substituição das máquinas de refil e do estoque de latas impacta diretamente a logística de suprimentos em shoppings e lojas de rua no estado.
Embora a Zamp ainda não tenha emitido um Fato Relevante ou comunicado corporativo detalhando a conclusão da troca em todo o território nacional, a presença dos produtos Coca-Cola em unidades mineiras confirma que a transição está em estágio avançado. Para o consumidor, a mudança altera o mix de produtos (como a entrada de Sprite e Fanta no lugar de 7Up ou Sukita); para a empresa, representa a quebra definitiva de um cordão umbilical histórico em busca de margens maiores e eficiência operacional. Assim, as mudanças ressaltam o novo contexto competitivo em Minas Gerais.


