O primeiro shopping de Belo Horizonte não quer saber de aposentadoria. O BH Shopping confirmou que vai entregar, até o fim do primeiro semestre de 2026, uma expansão de 1.962 m² de área locável. O investimento de R$ 30 milhões serviu para abrir espaço para sete novas marcas de peso que já estão em fase de montagem de suas unidades no Belvedere.
A lista oficial das novas operações é um “quem é quem” do desejo de consumo global: Nike, Adidas, Sephora, New Balance, Asics, Havanna e Urban. O movimento responde a um cenário raro no varejo físico: o shopping opera hoje com 99% de ocupação, o que significa que não havia mais onde colocar as marcas que faziam fila para entrar no mix.
A Guerra do Tênis e o Ímã da Beleza
O novo mix do BH Shopping não foi escolhido ao acaso. Ele ataca três frentes que dominam o comportamento de compra em 2026:
- O Estilo “Athleisure”: Com a chegada simultânea de Nike, Adidas, New Balance e Asics, o shopping vira o epicentro da moda esportiva em BH. Não é mais sobre academia, é sobre o uniforme do dia a dia.
- O Efeito Sephora: A gigante da beleza funciona como um ímã de tráfego qualificado. A marca atrai um público que consome de forma recorrente e costuma aumentar o tempo de permanência das pessoas dentro do mall.
- A Experiência Havanna: Com cafeteria e gelateria argentina, o shopping reforça o pilar de gastronomia como lazer, garantindo que o cliente não vá lá apenas para comprar, mas para passear.
O Tabuleiro dos Shoppings em BH
O investimento no Belvedere faz parte de uma disputa silenciosa por relevância na capital mineira. Enquanto o BH Shopping expande sua área, o Pátio Savassi também recebe R$ 46 milhões em revitalização.
Mas há um detalhe financeiro que poucos notaram: a expansão valoriza o ativo para venda. Em janeiro, a Multiplan anunciou a intenção de vender 10% do BH Shopping por R$ 285 milhões. O contrato prevê até um bônus de R$ 7,5 milhões se a expansão for entregue conforme o planejado. Ou seja: loja nova é, acima de tudo, lucro no balanço dos acionistas.
O BH Shopping está fazendo a jogada clássica de quem é líder de mercado: cresce pouco em tamanho, mas cresce muito em desejo. Ao colocar as marcas que dominam os feeds das redes sociais no mesmo corredor, o shopping eleva a régua para a concorrência e garante que o público premium continue subindo a BR-356. Em um mundo onde o e-commerce é forte, o shopping físico só sobrevive se entregar a marca que o cliente não quer esperar o frete para ter.