O Brasil não possui um índice contábil oficial que crave qual é a empresa mais célebre em cada um de seus estados. No entanto, quando cruzamos dados de alcance comercial, longevidade, presença internacional e vínculo histórico com a cidade natal, o mapa desenha gigantes do consumo, como Globo, Natura, O Boticário e Tramontina.
Em alguns estados, o domínio é solitário. No Sudeste, contudo, a briga exigiu critérios de desempate técnicos e, no caso de Minas Gerais, a escolha derrubou favoritas do dia a dia da população. O Moon BH organizou uma lista cobrindo as 27 unidades da Federação para matar essa curiosidade econômica.
Sul: Franquias e aço forjado em casa
- Paraná: O Boticário. De uma pacata farmácia de manipulação no centro de Curitiba (1977) para a liderança brutal no mercado nacional de franquias.
- Santa Catarina: Hering. A marca dos “dois peixinhos” criada pelos irmãos Hermann e Bruno Hering em Blumenau (1880) segue como esteio da moda básica nacional.
- Rio Grande do Sul: Tramontina. Uma pequena ferraria inaugurada na distante Carlos Barbosa, em 1911, que hoje exporta panelas, facas e ferramentas para mais de 120 países.
O sangue varejista e centenário do Nordeste
- Bahia: Le Biscuit. A loja de variedades criada em Feira de Santana (1968) conquistou o varejo regional.
- Ceará: Ypióca. Uma instituição etílica. Embala suas garrafas em palha desde o primeiro litro produzido em Maranguape, no distante ano de 1846.
- Maranhão: Grupo Mateus. O maior milagre do varejo recente. Começou como uma mercearia de 50 metros em Balsas (1986) e hoje é um império supermercadista.
- Pernambuco: Pitú. A cachaça pernambucana de Vitória de Santo Antão (1938) rompeu a Zona da Mata e ganha prateleiras no exterior.
- Rio Grande do Norte: Riachuelo. Começou vendendo tecidos como “A Capital” (1947) em Natal e dominou a confecção nacional de moda.
- Alagoas: Sococo. Os irmãos portugueses Tavares tiraram a empresa de Maceió nos anos 60 para dominar a venda nacional de derivados de coco.
- Paraíba: São Braz. Uma das maiores torrefadoras de café e milho do país desde sua criação em 1951.
- Piauí: R. Damásio. Surgiu nos anos 60 vendendo peças de bicicleta e hoje lidera a distribuição do setor de motos.
- Sergipe: GBarbosa. A clássica mercearia de Aracaju (1955) que lidera o setor supermercadista na região.
Centro-Oeste: Fast-food e laticínios
- Distrito Federal: Giraffas. Nascido no Lago Sul de Brasília em 1981, provou ser possível fazer fast-food de qualidade vendendo pratos feitos de comida brasileira.
- Goiás: Piracanjuba. Saiu das fazendas do interior goiano (1955) para colocar sua linha leiteira nos supermercados de todo o país.
- Mato Grosso: Louvada. Cervejaria cuiabana (2014) que rapidamente espalhou seus barris para estados vizinhos.
- Mato Grosso do Sul: Erva-Mate Santo Antônio. Tradição que mantém viva a cultura regional do tereré direto de Ponta Porã desde 1949.
Norte: Bebidas e adaptação florestal
- Pará: Phebo. O tradicional sabonete Odor de Rosas resiste no mercado atravessando gerações desde o seu nascimento em Belém no ano de 1930.
- Amazonas: Bemol. Muito além da geladeira. A empresa de Manaus (1942) domina o varejo com e-commerce, finanças e farmácias.
- Amapá: Amapá Polpas. A industrialização moderna do açaí e das frutas amazônicas diretamente de Macapá desde 2009.
- Acre: Quinarí. As bebidas, refrigerantes e energéticos produzidos em Senador Guiomard.
- Rondônia: Dydyo. A indústria que briga no mercado local de refrigerantes avançando forte pelo Norte do país.
- Roraima: Bebidas Monte Roraima. Tradição estadual intransferível na distribuição de águas e bebidas gasosas.
- Tocantins: Frango Norte. Inaugurada no ano 2000, é a proteína conhecida do setor alimentício em Paraíso do Tocantins.
Sudeste: O berço do dinheiro e da mídia
- São Paulo: Natura. Abriu como uma pequena portinha na Vila Mariana em 1969 e, na carona da venda direta, virou a principal gigante de cosméticos da América Latina.
- Rio de Janeiro: Globo. A comunicação manda no estado. Do jornal impresso em 1925 à TV em 1965, o nome virou uma potência midiática mundial.
- Espírito Santo: Garoto. Nascida em Vila Velha em 1929. O tempo passou, donos mudaram, mas os chocolates mantêm o capixaba orgulhoso da fábrica original.
- Minas Gerais: Localiza.
A medalha de ouro em Minas vai para a Localiza. O argumento é mercadológico: nenhuma das outras marcas atingiu a escala internacional e o volume logístico da empresa fundada em BH no ano de 1973.
O negócio que começou como uma garagem de aluguel ostentando apenas seis Fuscas usados tornou-se a maior plataforma de mobilidade da América Latina, cravando seu letreiro verde em diversos países.


