HomeBH e MG NotíciasTrês artistas do Nordeste mostram hoje, em BH, como o trabalho cotidiano...

Três artistas do Nordeste mostram hoje, em BH, como o trabalho cotidiano vira arte

Publicado em

Uma ferramenta de trabalho, os vestígios que as pessoas deixam nos lugares por onde passam e as horas que o emprego toma do dia são pontos de partida para três artistas que se encontram nesta terça-feira (3) no Museu da Moda de Belo Horizonte. Das 19h às 21h, os baianos Felipe Rezende e Milena Ferreira e o pernambucano Régi José abrem ao público as pesquisas que desenvolvem como residentes do Bolsa Pampulha. A entrada é gratuita.

Os três nasceram e cresceram no Nordeste e passaram a conviver em Belo Horizonte durante a residência do Museu de Arte da Pampulha. Dessa convivência surgiu a proposta de reunir investigações que têm o cotidiano em comum, mas chegam à arte por caminhos bastante diferentes. Na programação divulgada pela Prefeitura de Belo Horizonte, o encontro recebeu o nome de “Matéria suada”.

- Publicidade -

Felipe Rezende procura nas ferramentas a memória de quem trabalha

O baiano Felipe Rezende observa os instrumentos e os espaços de trabalho pelo que eles guardam de quem os utiliza. Em seus deslocamentos, reúne materiais e cataloga imagens que depois reaparecem em desenhos, pinturas e instalações. Uma ferramenta pode interessá-lo tanto pela função que cumpre quanto pela lembrança de um ofício ou de um lugar.

Formado em Artes Visuais pela Universidade Federal da Bahia, Felipe também vai buscar referências no cinema, nas histórias em quadrinhos e na literatura. Ao colocar essas imagens ao lado das cenas que recolhe no dia a dia, o artista pode partir de uma experiência reconhecível de trabalho manual e construir, a partir dela, uma narrativa em que cabe a ficção.

Da vida coletiva ao tempo que o trabalho ocupa

Milena Ferreira, também da Bahia, volta a atenção para o que permanece em um lugar depois da passagem das pessoas. Seus trabalhos investigam como relações cotidianas dão forma a um território e a quem se reconhece como parte dele. Fundadora do Circuito de Arte em Boteco e mestranda em Artes Visuais na UFBA, Milena traz para a conversa um olhar sobre a vida em comum que começa por presenças e marcas muitas vezes discretas.

- Publicidade -

O pernambucano Régi José aborda o trabalho por outra dimensão: o tempo que ele exige de uma pessoa e os efeitos dessa relação sobre o corpo. Com formação em design gráfico e arte-educação, Régi usa colagens e palavras para investigar o tema. Durante a residência em BH, tem se dedicado às condições cada vez mais precárias em que parte da população brasileira trabalha.

O público pode conhecer as pesquisas antes da exposição

Artistas Nordeste Museu
Créditos: Daniel Moreira/ Divulgação

Os três fazem parte de um grupo de dez artistas selecionados para a décima edição do Bolsa Pampulha. O programa prevê uma exposição coletiva e um catálogo ao fim da residência. A conversa desta terça dá ao visitante acesso a uma etapa anterior, quando os artistas ainda estão escolhendo materiais, aproximando referências e discutindo o rumo das obras.

Quem conduz o encontro conhece os dois lados da residência. O artista Froiid participou da oitava edição como bolsista e voltou nas duas seguintes para acompanhar os selecionados. Embora o programa seja do Museu de Arte da Pampulha, a atividade desta noite acontece no Centro de BH, no Museu da Moda, na Rua da Bahia, 1.149. A classificação é livre.

- Publicidade -

- Publicidade -
Anna Millard
Anna Millard
Jornalista pela Universidade Federal de Ouro Preto. Tem experiência em jornalismo esportivo, cidades e economia. Passou pelo setor público em assessoria de comunicação e assessoria de imprensa.