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Pequenos negócios podem entrar na Superminas e chegar ao varejo

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Uma pequena marca mineira que hoje vende apenas pela internet, em feiras ou para comércios locais pode ganhar uma vitrine diante de compradores de algumas das maiores redes supermercadistas do estado. O Governo de Minas Gerais abriu uma seleção para levar pequenos negócios à Superminas 2026, em Belo Horizonte, justamente com o objetivo de aproximar potenciais fornecedores do setor varejista.

O chamamento foi publicado nesta quarta-feira, 2 de setembro, pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico. Podem participar microempresas, empresas de pequeno porte, MEIs, agroindústrias familiares, empreendimentos familiares rurais, associações e cooperativas mineiras com produtos que possam ser comercializados pelo setor supermercadista.

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A diferença para uma feira comum é o público que estará do outro lado do balcão. A Superminas reúne supermercadistas, atacadistas, fornecedores e representantes da indústria, transformando os três dias de evento em uma oportunidade de colocar uma pequena marca diante de empresas que dificilmente seriam alcançadas apenas com vendas diretas ao consumidor.

O objetivo não é apenas vender durante a feira

Os selecionados poderão participar como expositores no estande institucional da Secretaria de Desenvolvimento Econômico durante a Superminas 2026. O próprio edital estabelece que a seleção procura negócios que possam se enquadrar como potenciais fornecedores do setor supermercadista, deixando claro que a oportunidade vai além da comercialização pontual de produtos no evento.

Para uma empresa pequena, entrar em uma rede de supermercados pode alterar completamente sua escala. O desafio deixa de ser vender dez ou vinte unidades diretamente ao consumidor e passa a envolver capacidade de produção, embalagem, logística, preço, regularidade de entrega e negociação com compradores profissionais.

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Esse mercado é especialmente relevante em Minas. O Moon BH mostrou recentemente que o estado possui quatro empresas entre as 15 maiores redes supermercadistas do Brasil, enquanto o setor local reúne grupos como Supermercados BH, Mart Minas, Supernosso, Verdemar, Epa e Mineirão Atacarejo.

O próprio comportamento do consumidor também vem mudando. Uma análise publicada pelo Moon mostrou que o carrinho do mineiro ficou mais sensível a preço e substituição de marcas, cenário que pode abrir espaço para novos fornecedores capazes de oferecer produtos competitivos ou ocupar nichos ainda pouco explorados.

Mais de 60 mil pessoas devem passar pelo evento

A Superminas 2026 será realizada entre 27 e 29 de outubro no Expominas, na Gameleira, em Belo Horizonte. Segundo o Portal Oficial de Turismo da capital, a feira reúne mais de 60 mil pessoas, mais de 500 expositores e aproximadamente 34 mil metros quadrados de área de exposição.

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A organização classifica o encontro como o segundo maior evento supermercadista do país e o maior evento empresarial de Minas Gerais. Além da exposição comercial, a programação conecta indústria, varejo, fornecedores, tecnologia e empresas de serviços ligados ao setor.

Para uma marca pequena, essa concentração de compradores é justamente o principal valor da participação. Em vez de procurar individualmente dezenas de redes, distribuidores e atacadistas, o empreendedor entra em um ambiente em que esses agentes já estão reunidos com a intenção de descobrir produtos, fornecedores e oportunidades de negócio.

Quem pode tentar uma vaga

O chamamento estadual é aberto a negócios sediados em Minas Gerais que se encaixem nas categorias definidas pela Secretaria. Entram nesse grupo MEIs, micro e pequenas empresas, agroindústrias e empreendimentos familiares rurais, além de associações e cooperativas com potencial para fornecer ao setor supermercadista.

Os interessados devem consultar o Edital de Chamamento Público nº 17/2026, disponibilizado pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, para verificar documentação, requisitos e procedimento de candidatura. Como as regras específicas fazem parte do documento oficial, vale conferir o edital antes de preparar o material da empresa ou assumir que o enquadramento jurídico, sozinho, garante uma vaga.

Essa atenção é importante porque chegar a um supermercado exige mais do que ter um produto interessante. Redes precisam avaliar questões como capacidade de fornecimento, regularidade, apresentação, enquadramento sanitário quando aplicável e viabilidade comercial, especialmente quando a negociação envolve dezenas de lojas.

A oportunidade está na gôndola depois da Superminas

Ilustração criada com ajuda do Grok.

O varejo alimentar mineiro já é grande o suficiente para transformar um contrato regional em mudança de patamar para uma pequena empresa. O Moon mostrou que Minas aparece atrás apenas de São Paulo em presença entre as maiores companhias supermercadistas do país, e a consolidação recente do mercado tem criado grupos com alcance cada vez maior.

Ao mesmo tempo, supermercados não vendem apenas produtos de grandes multinacionais. A busca por alimentos regionais, marcas locais, itens artesanais industrializados, produtos funcionais e categorias de nicho cria espaço para fornecedores menores que consigam provar capacidade de entrega e aceitação comercial.

Por isso, a seleção aberta pelo Governo de Minas pode valer mais pelo que acontece depois do evento do que pelos três dias de exposição. Uma pequena marca que chegue à Superminas com um bom produto pode sair de lá com contatos, negociações e, no melhor cenário, um caminho para deixar a feira e aparecer na prateleira onde milhares de consumidores fazem compras todas as semanas.

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Anna Millard
Anna Millard
Jornalista pela Universidade Federal de Ouro Preto. Tem experiência em jornalismo esportivo, cidades e economia. Passou pelo setor público em assessoria de comunicação e assessoria de imprensa.