O que Cartola, Elis Regina, Secos & Molhados, Gal Costa e Liniker podem ter em comum dentro de um espetáculo de dança? Em Belo Horizonte, artistas separados por diferentes épocas da música brasileira vão dividir o mesmo palco por meio de coreografias.
O Teatro Marília recebe nesta sexta-feira (14) e no domingo (16) o espetáculo “Sangue Latino”, dirigido e coreografado por Madu Franco.
A montagem usa a dança contemporânea para percorrer diferentes períodos e movimentos da música popular brasileira, transformando canções e trajetórias de artistas conhecidos em movimento.
Os ingressos custam R$ 20 a inteira e R$ 10 a meia.
De Elis Regina a Liniker
A seleção musical é um dos principais diferenciais da montagem.
Em vez de se concentrar em um único artista ou período, “Sangue Latino” coloca lado a lado nomes de gerações distintas.
Secos & Molhados, Elis Regina, Cartola, Liniker, Tom Zé e Gal Costa estão entre as referências anunciadas para o espetáculo.
O resultado pretende criar uma espécie de viagem pela música brasileira sem seguir necessariamente o formato tradicional de um espetáculo biográfico.
As canções funcionam como matéria-prima para a dança.
Assim, artistas associados ao samba, à MPB, à experimentação e à produção musical contemporânea passam a dividir uma narrativa construída pelos corpos dos bailarinos.
Espetáculo funciona como manifesto pela arte brasileira
A proposta de “Sangue Latino” também ultrapassa a homenagem musical.
Segundo a apresentação divulgada pela Prefeitura de Belo Horizonte, a montagem foi concebida como um manifesto cênico em defesa da arte brasileira.
O elenco é majoritariamente formado por mulheres e pessoas LGBTQIAPN+, característica incorporada à própria concepção do trabalho, que utiliza a dança para falar de identidade, diversidade e presença.
Participam do espetáculo Andressa Fonseca, Edu Xavier, Isadora Sena, Julia Lopes, Kaká Braga, Lua Santos, Lucas Ambar, Rodrigo Pimentel, Vitória Castro e Vitória Freitas.
A produção geral é de Rodrigo Pimentel, enquanto Madu Franco assina a direção artística e as coreografias.
Música brasileira contada sem microfone
A escolha pela dança cria uma forma diferente de revisitar músicas que fazem parte da memória de diferentes gerações.
Em vez de reproduzir um show ou montar uma sequência de covers, “Sangue Latino” utiliza gestos, movimentos e ocupação do palco para reinterpretar essas referências.
A proposta permite, por exemplo, que um nome associado à história da MPB como Elis Regina apareça no mesmo espetáculo que Liniker, artista de uma geração muito mais recente.
Essa distância temporal é justamente uma das forças da montagem.
O repertório ajuda a mostrar como a música brasileira passou por transformações profundas sem deixar de criar conexões entre artistas, movimentos e públicos de diferentes épocas.
Duas apresentações em BH
“Sangue Latino” terá duas sessões no Teatro Marília.
A primeira acontece nesta sexta-feira (14), às 20h. A segunda será no domingo (16), às 19h.
O espetáculo tem duração de 45 minutos e classificação livre.
Os ingressos antecipados estão disponíveis pela plataforma Sympla. Também será possível comprar entradas diretamente na bilheteria do Teatro Marília a partir de duas horas antes de cada apresentação, de acordo com a disponibilidade.
Com valores de R$ 20 e R$ 10, a montagem se torna também uma opção cultural de preço mais acessível para o fim de semana em Belo Horizonte.
Serviço
Sangue Latino, de Madu Franco
Quando: sexta-feira (14), às 20h, e domingo (16), às 19h
Onde: Teatro Marília
Endereço: Avenida Alfredo Balena, 586, Santa Efigênia, Belo Horizonte
Ingressos: R$ 20 inteira e R$ 10 meia
Duração: 45 minutos
Classificação: livre


