Presente em padarias, cafeterias e mesas de praticamente todo o estado, o pão de queijo será tratado como objeto de investigação em Belo Horizonte. A capital recebe, a partir desta quinta-feira (13), o 1º Simpósio Primórdios da Cozinha Mineira, edição dedicada exclusivamente a um dos maiores símbolos gastronômicos de Minas Gerais.
A proposta vai além de ensinar uma receita. Pesquisadores e profissionais da gastronomia pretendem apresentar resultados de estudos sobre a evolução técnica do pão de queijo, os processos que preservam sua identidade e os registros históricos que ajudam a explicar como a preparação se consolidou na cozinha mineira. As atividades são gratuitas e seguem até terça-feira (18), mediante inscrição.
O evento ganha um significado adicional por acontecer próximo ao Dia Nacional do Pão de Queijo, celebrado em 17 de agosto.
Afinal, qual é a história do pão de queijo?
A pergunta parece simples, mas é justamente uma das questões que o Programa Primórdios da Cozinha Mineira tenta investigar.
O pão de queijo atravessou gerações e se tornou um elemento associado à identidade de Minas, mas sua preparação não permaneceu parada no tempo. Técnicas, ingredientes e formas de produção foram sendo modificados conforme a receita circulava por diferentes regiões.
O simpósio pretende mostrar parte desse percurso.
Entre os assuntos anunciados estão a evolução técnica do pão de queijo mineiro e a sistematização do chamado “Pão do Brasil”, além de achados e registros levantados durante a pesquisa.
Dessa forma, o evento coloca no centro da discussão algo que normalmente chega à mesa pronto: os conhecimentos acumulados por trás da massa de polvilho, queijo e outros ingredientes que transformaram a receita em um dos produtos mais reconhecidos de Minas.
Público poderá colocar a mão na massa

A programação começa na quinta-feira (13), às 13h30, na Faculdade Senac de Gastronomia, no Barro Preto.
O professor Eduardo Batista conduz o workshop prático “Pão de Queijo: saberes e fazeres”, utilizando polvilho artesanal do Mato Seco. A experiência pretende aproximar os participantes de técnicas e conhecimentos tradicionais relacionados à produção.
Uma nova edição do workshop será realizada na segunda-feira (17), às 8h, no mesmo endereço.
A escolha do polvilho também ajuda a mostrar uma das propostas do simpósio: olhar para os ingredientes e os modos de fazer como parte da história do pão de queijo, e não apenas como uma lista fixa de componentes.
Mercado Central entra na programação
No próprio Dia Nacional do Pão de Queijo, 17 de agosto, a discussão sai da faculdade e chega a um dos espaços mais ligados à gastronomia de Belo Horizonte.
Às 13h, a Cozinha Interativa Itambé por Cumbucca, no estacionamento do Mercado Central, recebe o painel “Pão do Brasil: achados e registros sobre o pão de queijo”.
A atividade reunirá integrantes do Programa Primórdios e convidados para apresentar descobertas da investigação.
O Mercado Central é especialmente simbólico para uma discussão desse tipo por concentrar queijos, quitandas, cafés e outros produtos que ajudaram a construir a imagem da culinária mineira.
Pesquisa continua no Centro de BH
O encerramento acontece na terça-feira (18), às 14h, na unidade do Senac da Rua dos Guajajaras.
O painel “Pão do Brasil: achados e registros sobre o pão de queijo” será apresentado novamente, desta vez com a participação de Vani Pedrosa e convidados.
Todas as atividades são gratuitas, mas exigem inscrição pela plataforma indicada pelos organizadores.
Mais do que celebrar uma comida popular, o simpósio pretende mostrar que o pão de queijo também guarda história, transformações técnicas e saberes transmitidos ao longo das gerações.
Para quem sempre considerou a receita apenas uma tradição mineira, o evento propõe outra pergunta: quanto da história de Minas cabe dentro de um pão de queijo?


