O projeto conhecido como “Times Square de BH” avançou mais uma etapa para a instalação de grandes painéis de LED na Praça Sete, no Centro de Belo Horizonte. O Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural do Município aprovou um parecer favorável à colocação dos telões nas fachadas de três edifícios localizados ao redor do cruzamento das avenidas Afonso Pena e Amazonas.
A decisão, tomada na última quinta-feira, 16 de julho, permite que os responsáveis pelos imóveis continuem os processos de licenciamento. A aprovação do conselho, no entanto, não significa que os painéis possam começar a ser instalados imediatamente.
O projeto ainda precisa receber autorizações de outros órgãos, entre eles o Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais, o Iepha-MG, e a Subsecretaria de Regulação Urbana de Belo Horizonte.
Quais prédios poderão receber os painéis
O parecer aprovado pelo conselho contempla três imóveis da Praça Sete: o Edifício Helena Passig, o Brasil Palace Hotel e o prédio do antigo Banco Mineiro da Produção, que atualmente abriga o P7 Criativo.
O edifício do P7 é um dos imóveis mais conhecidos do entorno. Projetado por Oscar Niemeyer em 1953, o prédio integra um conjunto arquitetônico que ajuda a contar a história do desenvolvimento de Belo Horizonte ao longo do século XX.
A votação terminou com oito votos favoráveis e três contrários. Ao todo, 16 integrantes do conselho estavam aptos a participar da deliberação. Como o parecer analisou somente o projeto apresentado para esses três edifícios, qualquer pedido envolvendo outras fachadas precisará passar por uma nova avaliação.
Até o momento, nenhum painel foi instalado na região.
Aprovação não encerra processo
Apesar do avanço, ainda não existe uma data confirmada para que os primeiros telões sejam ligados. Os projetos técnicos deverão ser apresentados aos órgãos responsáveis pelo patrimônio e pelo licenciamento urbano.
O Iepha-MG tem participação direta no processo porque parte dos imóveis e do conjunto urbano da Praça Sete possui proteção patrimonial. O órgão estadual já havia informado que as propostas precisariam passar primeiro pela análise municipal antes de serem encaminhadas para avaliação estadual.
Além da preservação dos prédios, os responsáveis terão de demonstrar que os equipamentos não prejudicarão a circulação de pedestres, a visibilidade da sinalização de trânsito ou a acessibilidade da região.
O que permite a lei da “Times Square de BH”
A possibilidade de instalação dos painéis foi criada pela Lei Municipal 11.828, sancionada em março de 2025. A norma transformou o entorno da Praça Sete na primeira Área de Promoção da Cidade de Belo Horizonte.
As chamadas APCs são regiões que podem receber regras urbanísticas específicas para estimular atividades econômicas, culturais, turísticas, sociais e de lazer. A área definida pela legislação abrange o encontro das avenidas Afonso Pena e Amazonas com as ruas Rio de Janeiro e dos Carijós.
Pelas regras aprovadas, os painéis luminosos podem ter entre três e 40 metros de altura. Cada estrutura poderá ocupar, no máximo, 30% da fachada do prédio, além de ter espessura inferior a 1,70 metro.
As empresas também deverão reservar pelo menos uma hora diária da programação para conteúdos gratuitos da Prefeitura de Belo Horizonte. As inserções institucionais poderão ser divididas em exibições de 30 segundos ao longo do dia.
Nos imóveis tombados ou protegidos, qualquer instalação continuará dependendo da anuência dos órgãos responsáveis pelo patrimônio histórico.
Projeto divide opiniões em Belo Horizonte
Desde que começou a tramitar na Câmara Municipal, a proposta provocou discussões entre comerciantes, publicitários, arquitetos, urbanistas e defensores do patrimônio.
O autor do projeto, vereador Wanderley Porto, argumentou durante a votação que os painéis poderiam colaborar com a recuperação econômica do Centro, trazendo “turismo, inovação e modernidade” para a região. A proposta foi aprovada definitivamente pela Câmara em dezembro de 2024, com 30 votos favoráveis e dez contrários.
Entidades ligadas ao comércio, como a Câmara de Dirigentes Lojistas e o Sistema Fecomércio, também defendem que os anúncios luminosos poderão aumentar a visibilidade da Praça Sete, atrair visitantes e ampliar o movimento nos estabelecimentos do hipercentro.
Entre os críticos, o principal receio é que as estruturas escondam detalhes arquitetônicos e alterem de forma permanente a paisagem histórica do local.
O arquiteto e conselheiro Flávio Carsalade, que votou contra o parecer, afirmou que a liberação dos painéis não considera adequadamente o patrimônio existente na Avenida Afonso Pena. Representantes do Conselho de Arquitetura e Urbanismo também defendem que a recuperação do Centro precisa envolver iluminação pública, paisagismo, políticas sociais e incentivos aos comerciantes, em vez de depender somente da publicidade.
Praça Sete concentra história e movimento

A Praça Sete ocupa o cruzamento de duas das avenidas mais importantes de Belo Horizonte e é considerada um dos principais símbolos do hipercentro. O local fazia parte do projeto original da capital, desenhado por Aarão Reis no final do século XIX.
O nome Praça Sete de Setembro tornou-se oficial em 1922, durante as comemorações do centenário da Independência do Brasil. No centro do cruzamento está o obelisco conhecido como Pirulito, inaugurado em 1924 e doado pela então cidade de Capela Nova do Betim.
A região também reúne edifícios como o Cine Theatro Brasil, o antigo Banco da Lavoura e o P7 Criativo. Por isso, a discussão sobre os telões vai além da publicidade e envolve o modelo de Centro que Belo Horizonte pretende construir nos próximos anos.
Com o novo parecer, a chamada “Times Square de BH” está mais perto de sair do papel, mas ainda terá de vencer etapas técnicas e patrimoniais. Até que os projetos sejam aprovados pelo Iepha-MG e pela Regulação Urbana, a transformação da Praça Sete continuará restrita às simulações digitais.


