O Queijo Maranata Ouro, produzido pela Rancho Maranata, em Virgínia, no Sul de Minas Gerais, conquistou neste sábado, 27 de junho, o troféu Super Ouro da ExpoQueijo Brasil 2026, principal premiação do Araxá International Cheese Awards. É a segunda vez consecutiva que um queijo brasileiro vence o prêmio máximo da competição, considerada a maior das Américas no segmento de queijos artesanais. O produto venceu concorrentes de 19 países da América e da Europa. No total, foram aproximadamente mil amostras inscritas no concurso.
A conquista reafirma a posição de Minas Gerais no cenário internacional de queijos finos, um ano depois de o Brasil conquistar pela primeira vez o título inédito na edição de 2025. O queijo vencedor disputou a categoria de leite cru, casca lisa e ou lavada, com ou sem aquecimento, acima de 180 dias de maturação. Assim, ele superou produtores tradicionais de queijos de longa maturação, incluindo nomes consagrados da Itália.
A Mantiqueira de Minas no centro da disputa internacional
Para o produtor Henrique Lamim, a vitória representa o reconhecimento internacional da tradição queijeira da região da Mantiqueira de Minas, área recém-caracterizada que reúne dez municípios autorizados a produzir esse tipo de queijo de massa cozida. A tradição foi trazida pelos imigrantes italianos há mais de 300 anos. Hoje, tem identidade própria reconhecida oficialmente.
Lamim destacou que o queijo vencedor, com nove meses de maturação, concorreu diretamente com produtores tradicionais de parmesão, como Parmigiano Reggiano e Grana Padano. Mesmo assim, conquistou tanto a medalha de ouro na categoria quanto o Super Ouro, prêmio máximo da competição. O produtor também ressaltou a transformação que os reconhecimentos trouxeram ao negócio familiar. Hoje, a família comercializa o queijo para todo o Brasil com valor agregado, depois de décadas em que o produto era vendido a preços muito mais baixos pela geração anterior da família.
Seis anos de evolução até o título máximo

O Super Ouro de 2026 é resultado de uma trajetória de aperfeiçoamento construída ao longo de seis anos de participação na ExpoQueijo Brasil. Henrique Lamim disputa o concurso desde 2022 e percorreu uma sequência crescente de resultados: bronze em 2023, prata em 2024 e 96 pontos em 2025. No ano anterior, ficou fora da classificação final apesar da pontuação elevada. Em 2026, a dedicação técnica foi recompensada com o reconhecimento máximo da competição.
Segundo o produtor, os retornos técnicos fornecidos pelos jurados ao longo dos anos tiveram papel decisivo nessa evolução. Informações sobre o ponto de sal, o nível de umidade e outros aspectos técnicos do processo de produção ajudaram a corrigir e aprimorar o queijo a cada nova edição do concurso.
O hall dos campeões e o que muda depois do Super Ouro
Desde a criação da ExpoQueijo Brasil, apenas três países conquistaram o Super Ouro. A Itália venceu as edições de 2021 e 2022. A Argentina ficou com o título em 2023 e 2024. O Brasil entrou na galeria de campeões pela primeira vez em 2025. Agora soma sua segunda conquista consecutiva, consolidando a força da produção artesanal brasileira no cenário internacional de queijos finos.
O Super Ouro funciona como um selo permanente de excelência. Os queijos vencedores passam a integrar de forma definitiva a galeria histórica da competição e deixam de disputar as edições seguintes. Com isso, a conquista mantém exclusividade para cada produto premiado.
Segundo a organizadora da ExpoQueijo Brasil, Maricell Hussein, essa regra existe justamente para estimular a inovação entre os produtores. Quando um queijo conquista o título máximo, ele passa a fazer parte permanente da história do concurso. Entretanto, o produtor pode continuar competindo com outros produtos, maturações ou criações inéditas em edições futuras. A lógica reforça tanto a valorização da conquista quanto a renovação constante do universo queijeiro representado na competição.
O que a conquista representa para o setor em Minas
A vitória do Queijo Maranata Ouro reforça um movimento mais amplo de valorização do queijo artesanal mineiro, que vem ganhando reconhecimento técnico, comercial e cultural nos últimos anos. A região da Mantiqueira de Minas, com sua caracterização geográfica recente, busca consolidar identidade própria dentro do mercado de queijos finos. Assim, posiciona produtores familiares ao lado de tradições centenárias europeias.
Para a cadeia produtiva do leite em Minas Gerais, que enfrenta pressão de preço sobre o produtor em outras frentes do mercado, conquistas como o Super Ouro representam uma via de agregação de valor. Queijos premiados internacionalmente abrem espaço para comercialização em mercados mais exigentes e fortalecem a percepção de Minas como referência em qualidade. Ou seja, Minas não é referência apenas em volume de produção leiteira.





