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Vacina aplicada em Minas Gerais é suspensa pelo Ministério da Saúde

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O Ministério da Saúde suspendeu temporariamente a produção e a aplicação da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan. A decisão atinge diretamente Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, uma das cidades escolhidas para o projeto-piloto nacional do imunizante.

A medida é preventiva e foi anunciada após notificações de reações adversas consideradas graves. Segundo o governo federal, os casos ainda estão em investigação, e não há, neste momento, confirmação de relação causal entre a vacina e os eventos relatados. A suspensão não significa que a vacina tenha sido considerada insegura de forma definitiva. Significa que as autoridades sanitárias decidiram interromper a aplicação enquanto analisam os casos com mais profundidade.

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“No momento, profissionais de saúde estavam sendo vacinados. A orientação ocorre em razão de alguns casos de reação adversa detectados, três deles com sinal de gravidade, em um universo de aproximadamente 500 mil vacinados, que podem ou não estar relacionados à vacinação. A medida visa garantir a segurança da população nas próximas etapas da vacinação”, diz trecho da nota oficial do Butantan.

Nova Lima estava no centro do projeto-piloto

Nova Lima foi uma das três primeiras cidades brasileiras a receber a Butantan-DV, ao lado de Botucatu, em São Paulo, e Maranguape, no Ceará. Depois, a estratégia também chegou a outros públicos, como profissionais da Atenção Primária à Saúde.

No caso mineiro, a vacinação começou em janeiro, com foco em moradores de 15 a 59 anos. A cidade foi escolhida por critérios técnicos, epidemiológicos e operacionais, em parceria entre Ministério da Saúde, Fiocruz Minas, Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais e Prefeitura de Nova Lima.

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A ideia era testar, em escala real, o impacto da vacina na transmissão da dengue e na redução de casos graves e hospitalizações. Por isso, Nova Lima virou uma espécie de laboratório nacional da nova estratégia contra a doença.

Praça principal de Nova Lima, em Minas Gerais
Foto: Prefeitura de Nova Lima

Até março, dados preliminares indicavam quase 27 mil doses aplicadas no município, com cobertura em torno de 34% do público elegível. A meta era alcançar pelo menos 50% de cobertura em curto intervalo para permitir uma avaliação mais robusta do impacto da imunização.

Por que a vacina foi suspensa

A suspensão foi tomada depois de 42 notificações de reações adversas graves em pessoas vacinadas no país. Entre os registros, três casos foram classificados como mais graves, incluindo duas mortes ainda sob análise.

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O Ministério da Saúde informou que, entre cerca de 500 mil doses aplicadas, a taxa de reação adversa notificada corresponde a uma parcela pequena do total de imunizados. Ainda assim, os casos com sinais de alarme levaram à decisão de paralisar temporariamente a vacinação.

As investigações envolvem o próprio Ministério da Saúde, a Anvisa, o Instituto Butantan e a rede de vigilância em saúde. O objetivo é verificar se os eventos têm ou não relação com o imunizante, além de identificar possíveis fatores de risco entre os pacientes.

Essa etapa é conhecida como farmacovigilância. Ela ocorre justamente para acompanhar a segurança de vacinas e medicamentos depois que começam a ser usados em maior escala na população.

O que quem tomou a vacina deve fazer

A principal orientação é de monitoramento. Pessoas que receberam a Butantan-DV nos últimos 21 dias devem observar sinais de alerta e procurar atendimento se apresentarem sintomas persistentes ou de piora. Entre os sintomas que exigem atenção estão febre, dor abdominal intensa e contínua, sangramentos, sonolência intensa, tontura, irritabilidade, vômitos persistentes, desidratação e piora do estado geral.

Isso não significa que toda pessoa vacinada terá problema. A recomendação existe para garantir identificação rápida de eventuais casos graves e permitir atendimento adequado.

Em Nova Lima, a orientação prática para o morador é procurar uma unidade de saúde em caso de sintomas importantes, especialmente se a pessoa foi vacinada recentemente. A cidade tem papel relevante no acompanhamento justamente por ter sido um dos municípios-piloto da vacinação em massa.

Butantan-DV era aposta nacional contra a dengue

A Butantan-DV foi apresentada como a primeira vacina de dose única contra a dengue desenvolvida no Brasil. Esse era um dos principais diferenciais do imunizante, já que a dose única facilita campanhas de vacinação e reduz o risco de abandono do esquema. A vacina foi criada para proteger contra os quatro sorotipos do vírus da dengue. Nos estudos clínicos divulgados anteriormente, o imunizante apresentou proteção contra casos sintomáticos, formas graves e hospitalizações.

Suspensão não muda combate ao mosquito

A interrupção temporária da vacina não reduz a importância da prevenção contra a dengue. Pelo contrário. Com a vacinação suspensa, o combate ao Aedes aegypti volta a ser ainda mais decisivo no curto prazo.

A eliminação de criadouros continua sendo a principal medida para reduzir a circulação do mosquito. Isso inclui retirar água parada de vasos, calhas, pneus, garrafas, caixas d’água destampadas, bandejas de geladeira, ralos e qualquer recipiente que possa acumular água.

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Fhilipe Pelájjio
Fhilipe Pelájjiohttps://moonbh.com.br/fhilipe-pelajjio/
Publicitário, jornalista e pós-graduado em marketing, é editor do Moon BH e do Jornal Aqui de BH e Brasília. Já foi editor do Bhaz, tem passagem pela Itatiaia e parcerias com R7, Correio Braziliense e Estado de Minas. Especialista na cobertura de política, economia de Minas Gerais e de futebol e sua influência econômica e política.

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