O xadrez político do Palácio Tiradentes ganhou uma nova peça central. Castellar Neto, que até pouco tempo atrás cumpria um mandato relâmpago no Senado, acaba de assumir a Secretaria de Governo (Segov) de Minas Gerais. Mais do que uma simples troca de cadeiras, a nomeação é um movimento estratégico do governo para blindar sua base e estreitar pontes com Brasília e os municípios às vésperas de uma nova fase eleitoral.
Mas quem é o novo responsável por coordenar a articulação política da administração estadual?
Quem é Castellar Neto?
Natural de Coronel Fabriciano, no Vale do Aço, Castellar tem um currículo que mistura o peso acadêmico com a vivência de bastidores. É mestre em Direito Penal pela Sorbonne (França) e já atuou como secretário de Governo em Belo Horizonte.
Politicamente, ele é um aliado de Marcelo Aro. Juntos, foram fundamentais na articulação para a adesão de Minas ao Propag (renegociação da dívida) e na aproximação do Estado com os prefeitos do interior.
O que ele fez em 122 dias de Senado?
A projeção nacional de Castellar ocorreu em 2024, quando assumiu a cadeira de senador por quatro meses durante a licença de Carlos Viana (que disputava a prefeitura de BH). Apesar do tempo curto, ele protocolou 16 projetos de lei (PLs), desenhando um perfil focado em segurança, direito e benefícios sociais.

Para entender a linha de atuação do novo secretário, veja os principais projetos apresentados por ele em Brasília, divididos por área de impacto na vida do eleitor:
Segurança e Justiça: Propôs o porte de arma de fogo para defesa pessoal de advogados (PL 2.975) e um mecanismo para facilitar o bloqueio de celulares furtados, exigindo o fornecimento do IMEI às polícias (PL 4.351).
Saúde e Bolso: Buscou aliviar a carga tributária da população com projetos de isenção de Imposto de Renda para aposentados com Alzheimer (PL 3.045) e dedução no IR para a compra de aparelhos auditivos (PL 3.004).
Cultura e Esporte: Sugeriu estender a meia-entrada para professores (PL 3.347) e destinar parte da arrecadação das loterias federais diretamente para o futebol amador (PL 4.208).
Regras Eleitorais: Entrou em um tema polêmico ao propor a proibição de pesquisas eleitorais feitas exclusivamente pela internet e prognósticos baseados em monitoramento de redes sociais (PL 3.017).
O que muda na Segov para 2026
A chegada de Castellar à Segov não é um fato isolado; é a continuidade de uma engenharia política. Com a saída de Marcelo Aro para focar no ciclo eleitoral, o governo precisava de alguém que falasse a língua do interior, tivesse trânsito jurídico e mantivesse as portas abertas no Congresso Nacional.
Ao transformar um quadro técnico altamente qualificado em seu operador político número um, o governo de Minas sinaliza que a gestão dos próximos anos exigirá menos embate ideológico e mais pragmatismo na ponta da linha. Castellar deixa de ser uma aposta do Legislativo para se tornar o motor das negociações do Executivo mineiro.