Com o encerramento da janela partidária em 4 de abril de 2026, o Republicanos consolidou em Minas Gerais uma arquitetura eleitoral que foi desenhada para garantir influência institucional independentemente do resultado na disputa pelo Palácio Tiradentes. A operação combina a popularidade da família Azevedo, a capilaridade municipalista da presidência estadual do partido e o alcance midiático de Eduardo Cunha para cobrir frentes majoritária e proporcional simultaneamente.
Cleitinho como puxador e “seguro político” do grupo
O centro da estratégia é o senador Cleitinho Azevedo, que vem se destacando nas pesquisas. Para o partido, esse desempenho gera um efeito de arrasto sobre os candidatos proporcionais — especialmente à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).
A lógica opera em dois cenários. Se eleito governador, o Republicanos assume o controle direto da máquina estadual e tende a formar uma das maiores bancadas governistas na ALMG. Se derrotado, Cleitinho mantém o mandato de senador até 2030 e se consolida como principal líder da oposição — posição que, na avaliação de interlocutores ouvidos pelo Moon BH, obriga o próximo governador a negociar espaços na administração pública com a legenda de forma permanente.
Eduardo Cunha aposta em rádio e futebol no interior
A estratégia de Eduardo Cunha para retornar à Câmara dos Deputados por Minas Gerais se diferencia do modelo digital adotado pelos Azevedo. Cunha direcionou investimentos para a aquisição e parceria com redes de rádio no interior e patrocínios em clubes de futebol.
A lógica é pragmática: o rádio permanece como principal veículo de informação em municípios de pequeno e médio porte, enquanto o futebol garante visibilidade de massa. De acordo com analistas do Metrópoles, o objetivo é transformar essa presença midiática em quociente eleitoral elevado — permitindo que Cunha ajude a eleger outros dois ou três deputados federais da legenda por meio da sobra de votos. Na prática, o modelo funciona como uma estrutura de voto útil regionalizado.
Falcão e o trânsito com os 853 prefeitos

Além de ter renunciado à prefeitura de Patos de Minas e à presidência da Associação Mineira de Municípios (AMM) para integrar a chapa, Falcão mantém trânsito direto com os 853 prefeitos do estado — base que é tratada internamente como o elemento que impede o Republicanos de ser apenas um “partido de redes sociais”.
Como vice na chapa majoritária, sua função é dar segurança administrativa ao perfil mais informal de Cleitinho e atrair o apoio formal de prefeitos que buscam interlocução institucional. Caso a chapa majoritária não avance, sua candidatura à Câmara Federal ou à ALMG é considerada viável pela mesma base municipalista.
A dobradinha familiar no Senado
O quarto elemento da engenharia é Gleidson Azevedo, irmão gêmeo de Cleitinho e ex-prefeito reeleito de Divinópolis. Conforme registros do TRE-MG de 5 de abril, Gleidson entrará na disputa pelo Senado Federal.
A estratégia é criar uma “dobradinha familiar” na urna: o eleitor que vota em Cleitinho para governador tende a repetir o voto em Gleidson para o Senado, maximizando o aproveitamento do capital político da família no mesmo ciclo eleitoral.
O risco que acompanha a ambição
A engenharia é robusta no papel, mas não está imune a fragilidades. O Republicanos encerrou a janela partidária com a perda de cinco dos 12 parlamentares com mandato que tinha no estado. Nos bastidores, interlocutores apontam dúvidas sobre a profundidade da nominata proporcional e o risco de desgaste em torno do nome de Eduardo Cunha como fatores que ainda pesam sobre a coesão da chapa.