O prefeito de Patos de Minas e presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), Luiz Eduardo Falcão, definiu sua estratégia eleitoral para 2026 de forma condicional: se o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) confirmar candidatura ao governo de Minas Gerais, Falcão integrará a chapa como vice-governador. Caso o senador desista da corrida, o prefeito deve disputar uma vaga de deputado estadual, enquanto sua esposa, a deputada Lud Falcão, migraria para uma candidatura a deputada federal.
A chapa com Cleitinho como plano prioritário
A dobradinha com Cleitinho Azevedo é tratada como o caminho preferencial. Em março, o próprio senador voltou a defender publicamente uma “chapa pura” do Republicanos para o governo de Minas, e Falcão confirmou em entrevistas que mantinha conversas ativas com o parlamentar sobre essa composição.
A filiação de Falcão ao Republicanos, realizada em cerimônia em Brasília no fim de fevereiro, consolidou esse movimento. Desde então, aliados passaram a tratá-lo como nome natural para a vice-governadoria em uma eventual candidatura do partido ao Palácio Tiradentes.
O contexto político reforça o peso dessa rota. Após a posse de Mateus Simões (PSD) no governo de Minas, o próprio governador afirmou, em entrevista ao jornal O Tempo, que Falcão “vai renunciar em três dias” e associou o desgaste com a AMM a uma “postura eleitoral” do dirigente municipalista. A declaração deixa claro que adversários e aliados já enxergam Falcão como ator de campanha — não apenas como prefeito e presidente da associação municipalista.
Se Cleitinho não concorrer, rota de Falcão muda para a Assembleia
Caso o senador opte por não disputar o governo estadual, o cenário se reorganiza. Nesse desenho alternativo, Falcão renunciaria ao Executivo municipal para concorrer a uma cadeira de deputado estadual, com o objetivo estratégico de buscar a presidência da ALMG na virada de legislatura, em 2027.
A lógica tem respaldo institucional. A próxima composição da Mesa Diretora da Assembleia será definida logo após a posse dos deputados eleitos em outubro de 2026, já que o mandato da Mesa atual vai até 31 de janeiro de 2027. Com a abertura dessa disputa, lideranças com base regional consolidada e articulação junto a prefeitos passam a ter posição privilegiada — perfil que Falcão tenta afirmar à frente da AMM.
Lud Falcão a federal para evitar sobreposição
Se Falcão seguir pela via proporcional estadual, a deputada Lud Falcão deve migrar para uma candidatura a deputada federal, evitando que os dois disputem o mesmo espaço eleitoral. Lud já ocupa mandato de deputada estadual e se afastou da vice-liderança do governo na ALMG após o rompimento com Mateus Simões. Seu nome também vinha sendo associado a uma migração para o Republicanos durante a janela partidária. O movimento ainda não foi anunciado formalmente como decisão fechada.
O custo inevitável: renúncia à prefeitura e à AMM
Qualquer que seja o caminho escolhido, Falcão terá de arcar com o mesmo custo político: a renúncia à prefeitura de Patos de Minas e, segundo o jornal O Tempo, o desligamento da presidência da AMM. Abrir mão das duas posições simultaneamente representa o principal ponto de inflexão dessa decisão — e o preço a pagar para entrar de vez no jogo eleitoral de 2026.