HomePolítica e PoderEleições em Minas Gerais agora são negociadas em 3 mesas diferentes

Eleições em Minas Gerais agora são negociadas em 3 mesas diferentes

A política mineira entrou na reta mais tensa da janela partidária com três negociações centrais ainda sem desfecho: o futuro de Rodrigo Pacheco, a tentativa de Mateus Simões de unificar a direita e a decisão do PL entre compor alianças ou lançar nome próprio. Pelo calendário do TSE, a janela para deputados vai de 5 de março a 3 de abril, enquanto o prazo final de filiação partidária para quem pretende disputar a eleição termina em 4 de abril.

Em Minas, o suspense não está apenas nas trocas formais de legenda. Ele está, sobretudo, nas conversas de bastidor que podem reorganizar a disputa ao Palácio Tiradentes e ao Senado em poucos dias. O quadro é de xadrez aberto: o campo de centro-esquerda espera Pacheco; o PSD tenta preservar o projeto de Mateus Simões; e o PL mantém mais de uma porta aberta para não entrar menor na eleição estadual.

Pacheco concentra o maior suspense da janela em Minas

Hoje, o movimento mais observado é o de Rodrigo Pacheco. O senador ainda não oficializou a troca de partido, mas intensificou os sinais de saída do PSD. Nos últimos dias, ele participou de jantar com a cúpula nacional do PSB, ao lado de Geraldo Alckmin e João Campos, e aliados passaram a tratar a filiação como questão mais de calendário do que de conteúdo. O próprio senador, segundo o Estado de Minas, classificou o convite do PSB como “sedutor”, o que elevou o otimismo no partido.

A hesitação de Pacheco tem peso maior porque mexe em dois tabuleiros ao mesmo tempo. Se ele migrar para o PSB e aceitar disputar o governo, oferece ao presidente Lula um nome competitivo em Minas e empurra o PSD estadual para uma campanha ainda mais fechada em torno de Mateus Simões. Ao mesmo tempo, esvazia as alternativas de MDB e União Brasil, que chegaram a ser cogitados como abrigo partidário, mas perderam força nas últimas semanas.

Simões tenta fechar a direita, mas o PL não decidiu

Foto: CMBH

No outro lado da mesa, Mateus Simões assumiu o governo de Minas em 22 de março após a renúncia de Romeu Zema para a corrida presidencial e tenta transformar a cadeira de governador em ativo eleitoral. O problema é que a estratégia depende de uma costura ampla à direita, e essa costura ainda não está pronta. O PSD insiste em dialogar com o senador Cleitinho e espera ter o PL em sua chapa, inclusive com espaço para uma vaga ao Senado.

Só que o PL resiste a bater o martelo. O partido segue conversando com Simões e também com Cleitinho, mas deixou claro que pode lançar candidatura própria. Nesse cenário, os nomes de Vittorio Medioli e Flávio Roscoe ganharam tração. Roscoe, presidente da Fiemg, deve se filiar ao PL nesta terça-feira e é tratado nos bastidores como opção para cabeça de chapa ou vice. Medioli já entrou no partido. A legenda quer empurrar a decisão para depois do fechamento da janela e manter poder de barganha máximo.

Esse impasse importa porque Cleitinho lidera os cenários da primeira rodada da pesquisa DATATEMPO para o governo de Minas, enquanto Mateus Simões ainda aparece com índices baixos de intenção de voto. Em outras palavras: o PSD tem a máquina estadual, mas ainda não tem a centralidade eleitoral. O PL sabe disso e negocia a partir dessa vantagem relativa.

Na ALMG, a janela já começou a mudar o mapa de forças

Enquanto os caciques negociam o topo, a janela já produziu efeitos concretos na base do sistema político. Até esta segunda-feira, sete dos 77 deputados estaduais mineiros haviam trocado de partido, segundo levantamento de O TEMPO. Entre as mudanças, Chiara Biondini foi do PP para o PL; Adalclever Lopes trocou o PSD pelo PV; Doutor Paulo deixou o PRD rumo ao União Brasil; e Ana Paula Siqueira saiu da Rede para o PT.

Essas migrações não definem sozinhas a eleição de outubro, mas mostram a direção do vento. O PT tenta engrossar sua base num momento em que Marília Campos já está em pré-campanha para o Senado. O PSD trabalha para preservar musculatura mesmo com a provável saída de Pacheco. E o PL se fortalece como peça-chave do jogo mineiro, seja para compor, seja para impor candidatura própria.

No fim, o suspense mineiro não é apenas sobre quem vai assinar ficha até sexta. É sobre quem chegará a abril com a narrativa mais forte, o palanque mais competitivo e a capacidade de atrair os indecisos num estado em que, segundo a DATATEMPO, 70,6% do eleitorado ainda não sabe em quem votar para governador. A janela partidária, em Minas, está funcionando menos como formalidade legal e mais como prévia real da batalha de 2026.

Fhilipe Pelájjio
Fhilipe Pelájjiohttps://moonbh.com.br/fhilipe-pelajjio/
Publicitário, jornalista e pós-graduado em marketing, é editor do Moon BH e do Jornal Aqui de BH e Brasília. Já foi editor do Bhaz, tem passagem pela Itatiaia e parcerias com R7, Correio Braziliense e Estado de Minas. Especialista na cobertura de política, economia de Minas Gerais e de futebol e sua influência econômica e política.