A manutenção de Nely Aquino na presidência do Podemos mineiro, consolidada nesta semana com o veto à filiação do ex-deputado Eduardo Cunha, é o resultado de uma operação de preservação de território coordenada entre Belo Horizonte e Brasília. O desfecho favorável à deputada, ocorrido a apenas dez dias do fechamento da janela partidária, interrompe um ciclo de instabilidade.
Conforme apuração de bastidor publicada pelo portal O Tempo, a sobrevivência de Nely no cargo baseou-se em três pilares: a demonstração de fidelidade à presidência nacional de Renata Abreu, a coesão da bancada estadual e a apresentação de uma “nominata fechada” para 2026, que seria desestruturada pela chegada de uma liderança externa com o peso político de Cunha.
O Recuo Estratégico e a Pacificação com a Família Ganem
O primeiro passo da recuperação de Nely ocorreu logo após a intervenção de 5 de dezembro de 2025. Naquele momento, a executiva nacional desativou o diretório mineiro motivada pelo desgaste gerado pelas investigações contra o vereador Lucas Ganem. Em vez de confrontar a decisão de Renata Abreu publicamente, Nely Aquino optou por uma negociação interna que incluiu a ala dissidente do partido.
A solução de “governança compartilhada”, estabelecida no final do ano passado, foi a peça-chave. Ao aceitar a influência da família Ganem na condução de parte das diretrizes partidárias, Nely removeu o pretexto de “instabilidade local” que Brasília utilizava para manter a intervenção.
O Veto a Eduardo Cunha como Garantia de Sobrevivência
A tentativa de Eduardo Cunha de se filiar ao Podemos em Minas Gerais foi interpretada pelo grupo de Nely não como uma adesão, mas como uma ameaça à hierarquia de comando. Cunha buscava uma legenda competitiva para retornar à Câmara dos Deputados, o que exigiria uma redistribuição de espaço e de recursos do fundo eleitoral já empenhados para os pré-candidatos do grupo original.
Nely Aquino utilizou um argumento técnico para convencer Renata Abreu a barrar Cunha: o risco de “implosão da chapa”. A deputada apresentou dados que mostravam que a entrada de um nome de alta rejeição e grande volume de votos poderia afastar candidatos de médio porte, fundamentais para que o partido atinja o quociente eleitoral necessário em Minas.
A Força do “Bloco Aro” no Tabuleiro Estadual
A resiliência de Nely também é indissociável de sua aliança com Marcelo Aro.
O cenário em 25 de março de 2026 aponta que Nely Aquino não apenas preservou seu cargo, mas elevou seu status de negociadora. Ao sair ilesa de uma intervenção federal e de uma tentativa de “invasão” de sua base por um cacique nacional, a deputada chega à reta final da janela partidária com autoridade total sobre a nominata.