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Sob Zema, Copasa triplicou de valor: Como a estatal saltou de R$ 6,9 bi para R$ 21 bilhões

A trajetória da Copasa (Companhia de Saneamento de Minas Gerais) na Bolsa de Valores brasileira (B3) entre 2019 e 2026 registra um dos movimentos de valorização mais acentuados do setor público mineiro. Ao ingressar na reta final de seu segundo mandato, o governador Romeu Zema apresenta um ativo que, sob a ótica do mercado financeiro, vale hoje três vezes mais do que no primeiro dia de sua gestão.

A Evolução do Valor de Mercado: 2019 vs. 2026

Para compreender o salto patrimonial da estatal, é necessário ajustar as métricas de mercado ao longo do tempo, especialmente considerando eventos corporativos como o desdobramento de ações.

  • Janeiro de 2019 (Início da Gestão): Com a ação cotada a R$ 54,70 no primeiro pregão de 2019 e aplicando o ajuste retroativo pelo desdobramento de 3 para 1 (ocorrido em 2020), o valor de mercado implícito da Copasa era de aproximadamente R$ 6,93 bilhões
    .
  • Março de 2026 (Cenário Atual): Com o papel negociado a R$ 55,34 (fechamento de 19 de março) e um capital social composto por mais de 380 milhões de ações, a companhia atingiu a marca de R$ 21,04 bilhões.
  • Desempenho Percentual: O avanço representa uma alta nominal de 203,5% no valor de mercado em pouco mais de sete anos.

O Impacto da Aprovação da Privatização

O principal gatilho para a valorização recente foi o avanço institucional da agenda de desestatização. A Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) aprovou o projeto de privatização em definitivo em 17 de dezembro de 2025, com a sanção da lei ocorrendo em 23 de dezembro do mesmo ano.

Foto: reprodução

Desde a aprovação, a percepção de risco sobre o ativo mudou drasticamente. Entre 22 de dezembro de 2025 (véspera da sanção) e 19 de março de 2026, a ação saltou de R$ 43,18 para R$ 55,34 — um crescimento de 28% em menos de três meses. O mercado passou a precificar não apenas a operação atual, mas o potencial de eficiência e a nova estrutura de governança de uma companhia privada.

Marcos Institucionais: Entrada no Ibovespa

Além da privatização, a Copasa atingiu um patamar de maturidade financeira que a levou ao Ibovespa, o principal índice da B3, em 5 de janeiro de 2026.

A inclusão no índice é um selo de liquidez e relevância. Ela obriga fundos de investimento que replicam o índice a comprarem o papel, aumentando a demanda e a exposição da estatal a investidores institucionais estrangeiros.

Esse movimento ajudou a sustentar o valor de mercado acima da barreira dos R$ 20 bilhões, mesmo em um cenário de volatilidade econômica global.

Fatores Externos e Setoriais

Embora a agenda de Zema seja o motor central da narrativa, analistas apontam que a valorização da Copasa também foi impulsionada por fatores sistêmicos:

  • Novo Marco Legal do Saneamento:
    A segurança jurídica trazida pela legislação federal atraiu capital privado para todo o setor no Brasil.
  • O “Efeito Sabesp”: A conclusão bem-sucedida da privatização da estatal paulista serviu como um modelo de precificação (benchmark) para a Copasa.
  • Eficiência Operacional: A melhora nos indicadores de Ebitda e a política de distribuição de dividendos ao longo da gestão Zema tornaram o papel atrativo para investidores com foco em renda.
Fhilipe Pelájjio
Fhilipe Pelájjiohttps://moonbh.com.br/fhilipe-pelajjio/
Publicitário, jornalista e pós-graduado em marketing, é editor do Moon BH e do Jornal Aqui de BH e Brasília. Já foi editor do Bhaz, tem passagem pela Itatiaia e parcerias com R7, Correio Braziliense e Estado de Minas. Especialista na cobertura de política, economia de Minas Gerais e de futebol e sua influência econômica e política.