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Lula agora quer Caixa, da Itatiaia, como governador de Minas Gerais

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acionou o “plano de contingência” para Minas Gerais. Diante da resistência do senador Rodrigo Pacheco (PSD) em disputar o governo mineiro em 2026, caciques petistas sondaram nos últimos dias o deputado estadual e narrador esportivo Mário Henrique “Caixa” (PV) como candidato ao Palácio Tiradentes — movimento que expõe a urgência do Planalto em não chegar à sucessão de Romeu Zema sem palanque competitivo no segundo maior colégio eleitoral do país .

A informação, revelada pelo colunista Igor Gadelha, do Metrópoles, indica que “Caixa” sinalizou positivamente à consulta e seu nome já foi levado a Lula. O próprio Pacheco foi informado da movimentação, embora mantenha a postura de não se comprometer com a disputa estadual

A matemática que explica a “obsessão” mineira

Minas Gerais concentra 16,1 milhões de eleitores — atrás apenas de São Paulo. Para campanhas presidenciais, o estado é termômetro e balanço: quem vence em Minas geralmente amplifica a vantagem nacional. Belo Horizonte sozinha soma quase 2 milhões de eleitores, com Contagem, Betim e outras cidades grandes compõem um colégio urbano decisivo

Lula viveu o incômodo de visitar Minas sem “um candidato para chamar de seu”. Em agosto de 2025, cobrou publicamente uma definição rápida de Pacheco. Em dezembro, voltou a insistir: “A esperança é a última que morre”, declarou, elogiando o senador como figura central do estado

A sondagem a “Caixa” representa a aceitação de que o plano A pode falhar — e a necessidade de ter um plano B de pé quando o calendário apertar.

Por que um narrador esportivo?

A escolha de Mário Henrique não é aleatória. Radialista com décadas de carreira na Itatiaia, ele acumula reconhecimento instantâneo em um estado caro de comunicar. Sua biografia inclui cobertura de Copas do Mundo e Olimpíadas, além de passagem pela Secretaria de Turismo no governo Fernando Pimentel (PT) em 2015

O componente partidário é igualmente estratégico: o PV é federado ao PT e PCdoB, eliminando barreiras jurídicas para montagem de chapa. A coluna de Gadelha revela ambição nacional no desenho: se “Caixa” for candidato a governador, o PT indicaria uma vaga ao Senado, enquanto o PSOL — que planeja lançar Áurea Carolina — ocuparia a outra

O risco do “efeito celebridade”

Há, contudo, uma aposta arriscada na estratégia. Popularidade de microfone não se traduz automaticamente em voto majoritário. Eleições para governador exigem estrutura partidária, alianças municipais sólidas e narrativa política consistente — áreas onde “Caixa” teria de construir rapidamente capital eleitoral.

O cenário lembra outras tentativas de transferir capital midiático para política: algumas vingam, outras não resistem à pressão de uma campanha estadual intensa. A diferença é que, desta vez, quem precisa do palanque é Lula — não o candidato.

O que muda no tabuleiro

A movimentação sinaliza que o PT entrou em modo “urgência eleitoral” em Minas. Zema, governador reeleito com alta popularidade, deixa o cargo em 2026 com legado administrativo forte. Sem um nome competitivo, o Planalto arrisca ver o estado escapar de seu mapa de influência em ano crucial.

Se a sondagem a “Caixa” se concretizar em candidatura, será porque Lula concluiu que, em Minas, o maior adversário não é um partido específico — é a ausência de alternativa viável. E no xadrez eleitoral de 2026, não ter palanque no segundo maior colégio do país é luxo que nenhuma campanha presidencial pode se permitir.

Fhilipe Pelájjio
Fhilipe Pelájjiohttps://moonbh.com.br/fhilipe-pelajjio/
Publicitário, jornalista e pós-graduado em marketing, é editor do Moon BH e do Jornal Aqui de BH e Brasília. Já foi editor do Bhaz, tem passagem pela Itatiaia e parcerias com R7, Correio Braziliense e Estado de Minas. Especialista na cobertura de política, economia de Minas Gerais e de futebol e sua influência econômica e política.