O senador Flávio Bolsonaro descobriu que o seu projeto nacional para o Planalto encontrou um obstáculo inesperado: a rede social de um deputado estadual mineiro. Ao declarar Cleitinho Azevedo como seu pré-candidato oficial ao Palácio da Liberdade, Cristiano Caporezzo disparou um comentário que irritou o comando nacional do PL.
O cenário político de Minas Gerais ganhou novos contornos após o deputado publicar um vídeo do senador Cleitinho Azevedo em que ele manifesta apoio ao senador Flávio Bolsonaro. Na legenda da publicação, Caporezzo foi direto: “Com essa declaração, Cleitinho passa a ser o meu pré-candidato para o governo de Minas.”
O incômodo de Brasília não é com o nome de Cleitinho — um ativo de popularidade inegável —, mas com o timing. A política é a arte de não fechar portas antes da hora, e Caporezzo pode acabar atrapalhando uma parceria do filho do ex-presidente com Romeu Zema.
“Atitudes impulsivas e desalinhadas com o projeto do Flávio podem atrapalhar sim”, afirmou ao Moon BH um interlocutor próximo às conversas nacionais.
Vice-Presidência sob Ameaça
O plano “prime” do bolsonarismo para 2026 envolve uma simbiose perfeita: Flávio Bolsonaro na cabeça da chapa presidencial e Romeu Zema como o vice que entrega o Sudeste e o mercado. Para que Zema aceite essa missão, ele precisa de uma garantia em solo mineiro: seu herdeiro, Mateus Simões (PSD), como governador.
Quando Caporezzo antecipa Cleitinho, ele cria um fato consumado que isola Mateus Simões e retira de Zema o seu principal trunfo de barganha. Se a direita mineira se fechar em torno de um nome “raiz” agora, o governador perde o incentivo para ser o vice de Flávio, e o consórcio nacional corre o risco de desmoronar por falta de contrapartida regional.
Impulsividade que só atrapalha
Interlocutores do entorno de Flávio Bolsonaro não esconderam a surpresa e a irritação. O termo usado — “atitudes impulsivas e desalinhadas” — é o código diplomático para “sabotagem não intencional”. Na lógica de Brasília, Minas Gerais é um território que exige uma engenharia de precisão. Lançar Cleitinho hoje é forçar uma ruptura precoce com o PSD e com o Governo do Estado, algo que o PL nacional gostaria de evitar até que a federação com o PP e outros arranjos estivessem selados.
Minas como Pêndulo Nacional
Minas Gerais nunca foi um estado para amadores. O gesto de Caporezzo passa a imagem de uma direita que ainda bate cabeça.
Cristiano Caporezzo pode ter ganhado curtidas em sua base, mas perdeu pontos na mesa de negociações de Brasília. Flávio Bolsonaro precisa de Minas unificada, não fragmentada.