HomePolítica e Poder"Tchau Querido?" Eduardo Cunha eleito seria ameaça de impeachment à Lula 4?

“Tchau Querido?” Eduardo Cunha eleito seria ameaça de impeachment à Lula 4?

Diz-se que em Brasília ninguém morre definitivamente; apenas aguarda-se a próxima janela de oportunidade. O anúncio de Eduardo Cunha de que disputará uma vaga por Minas Gerais em 2026 trouxe de volta o debate sobre o “gatilho” do impeachment. A pergunta é inevitável: um “Cunha 2.0” teria força para repetir contra Lula o que fez contra Dilma em 2016? A resposta curta é: a caneta acende o pavio, mas só a política explode o prédio.

1. O Porteiro do Caos: A Caneta como Filtro

O Presidente da Câmara é o senhor do tempo. Ele detém a discricionariedade de aceitar ou “sentar em cima” de pedidos de impeachment por tempo indeterminado — um poder que Davi Alcolumbre e Arthur Lira já demonstraram ser a principal moeda de troca com o Executivo e o Judiciário.

Se Cunha (ou um herdeiro de seu estilo) assumisse a presidência em 2027, o eventual governo Lula IV entra em um regime de “parlamentarismo branco”. A ameaça do impeachment deixa de ser um evento e passa a ser uma taxa de administração diária.

Nos bastidores de Brasília se credita a Cunha parte do sucesso do pupilo Hugo Motta em sua eleição à presidência da Câmara. Portanto, sua eventual eleição neste ano reforçará sua força na casa.

2. A Matemática do Impossível

Impeachment não é decreto; é aritmética. Para autorizar o processo, são necessários 342 votos (dois terços da Casa). Em 2016, Cunha só carimbou o pedido quando o “Centrão Real” concluiu que o custo de manter Dilma era maior que o risco de tirá-la.

Em um eventual quarto mandato, Lula provavelmente operaria com uma coalizão “oceânica”, distribuindo o orçamento para blindar-se. A direita, hoje fragmentada entre o radicalismo de Eduardo Bolsonaro e o protagonismo de Nikolas Ferreira, precisaria de uma unidade de comando que ainda não demonstrou ter. Sem os 2/3, a caneta de um Presidente da Câmara agressivo vira apenas barulho de oposição — potente para sangrar a imagem, mas insuficiente para mudar a faixa.

O “mito Cunha” nasce do fato de ele ter sido o maquinista da queda em 2016, mas a lição real daquele período é outra: o impeachment só ocorre quando a elite política e econômica assina o contrato de rescisão. A caneta oficializa o divórcio; ela não cria a briga sozinha.

Mas é interessante de se imaginar que o homem que derrubou Dilma pode voltar ao jogo como o “único com coragem de tirar Lula”. Seria um “Tchau, Querido?”.

3. Vice mais que perfeito

Lula não pretende repetir o mesmo erro que cometeu com Dilma ao colocar como vice Michel Temer. Atento a tudo que pode acontecer, o presidente só colocará na cadeira um vice em que confie 100%.

Um quarto mandato jamais arriscaria com um nome que pudesse repetir a mesma história, com os mesmos personagens.

Fhilipe Pelájjio
Fhilipe Pelájjiohttps://moonbh.com.br/fhilipe-pelajjio/
Publicitário, jornalista e pós-graduado em marketing, é editor do Moon BH e do Jornal Aqui de BH e Brasília. Já foi editor do Bhaz, tem passagem pela Itatiaia e parcerias com R7, Correio Braziliense e Estado de Minas. Especialista na cobertura de futebol, com foco em Atlético, Cruzeiro, Palmeiras e Flamengo há mais de 10 anos.