Diz-se que o ano político no Brasil só começa depois do Carnaval. Em Minas Gerais, essa máxima é um dogma. Nesta segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026, o estado acorda com um interrogatório mudo pairando sobre a Cidade Administrativa: o que fará Rodrigo Pacheco? O ex-presidente do Senado, mestre na arte da cautela, esgotou o estoque de “talvez”. A partir de hoje, cada gesto seu será lido como um movimento de ataque ou uma retirada estratégica.
O cenário é de uma clareza brutal. O PSD de Gilberto Kassab, em Minas, já entregou as chaves da casa para a sucessão de Romeu Zema com Mateus Simões. Pacheco, que por anos foi o fiador da estabilidade institucional em Brasília, vê-se hoje como um inquilino indesejado em sua própria legenda.
1. O Rubicão de Abril e o Isolamento Partidário
O prazo de 4 de abril para filiações é o “Rubicão” de Pacheco. Se ele permanecer no PSD, aceita o papel de coadjuvante no palanque de Simões. Se quiser o Governo de Minas — e o apoio do PT de Lula para ser a ponte moderada contra o bolsonarismo —, ele precisa de uma nova casa. O União Brasil e o MDB abriram as portas, mas a travessia exige coragem: é preciso deixar para trás a máquina do PSD para apostar em um projeto de risco.

2. O “Contrato” de Rodrigo Pacheco com o Planalto
Para o Presidente Lula, Pacheco é o “Plano A” para evitar que Minas Gerais torne-se um território exclusivo da direita em 2026. O Planalto quer Pacheco no Governo para dar tração à chapa que já tem Marília Campos (PT) como favorita ao Senado.
No entanto, o “custo Pacheco” subiu. Ele exige garantias de que não será apenas um “nome de sacrifício” em um estado fiscalmente asfixiado pela dívida pública. A retomada dos diálogos nesta semana pós-carnaval focará exatamente nisso: qual é o tamanho real do apoio federal para quem aceitar carregar a cruz da dívida mineira?
3. A Sombra de Davi Alcolumbre e o Futuro Nacional
Longe do Palácio da Liberdade, Pacheco também observa Brasília. Com Davi Alcolumbre sentado em sua antiga cadeira na presidência do Senado, Pacheco perdeu a “caneta do poder imediato”, mas mantém o prestígio.
A dúvida que tortura os aliados é se ele prefere a segurança de um novo mandato no Senado ou se aceitará o desafio de tentar governar o estado-pêndulo do Brasil. A história mineira é impiedosa com os indecisos; em 2026, quem não define seu palanque na Quaresma costuma descobrir que o eleitor já escolheu outro santo.