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Minas Gerais: 2026 será o ‘plebiscito’ da Cemig? Copasa aprovada muda o jogo

Em 2026, quando o eleitor mineiro for às urnas escolher governador e deputados, o debate poderá ser enquadrado como plebiscitário. Mas não espere uma urna separada com “Sim” ou “Não”. O plebiscito será político, e o tema central será o pacote de desestatização do ciclo Zema/Simões.

Com a privatização da Copasa já autorizada pela Assembleia Legislativa, a Cemig deixa de ser uma discussão abstrata e vira o “limite moral” da campanha. A pergunta que vai dominar os debates é: “Depois da água, a energia também vai?”

O Fato Consumado: Copasa já é realidade

Para entender o futuro da Cemig, é preciso olhar para o que acabou de acontecer com a Copasa.

  1. Lei Aprovada: A Assembleia aprovou (e o governo sancionou) a lei que autoriza a desestatização da companhia de saneamento.
  2. Sem Referendo: O detalhe mais importante foi a queda da exigência de referendo popular. Ou seja, a ferramenta que permitiria ao povo vetar a venda diretamente foi desarmada.

O Resultado Prático: O plebiscito jurídico morreu. Nasceu o plebiscito eleitoral. O eleitor não votará na proposta; votará em quem defende e em quem combate a venda.

Cemig: O “Pano de Fundo” Explosivo

O governo Romeu Zema sempre tratou o trio Copasa/Cemig/Gasmig como peças de uma estratégia fiscal única. Mas a Cemig é outra liga. Ela mexe com tarifa de luz, soberania energética e orgulho estadual num grau muito maior que o saneamento.

A própria Assembleia sinalizou um freio. Após a votação da Copasa, o presidente da Casa, Tadeu Martins Leite (MDB), declarou que a Cemig “não está nos planos” e falou em consenso contrário à venda entre os deputados.

Mas em campanha, declarações passadas valem pouco.

  • A Oposição: Usará a Cemig como profecia do caos (“Eles venderam a água, agora vêm buscar a luz”).
  • O Governo (Sucessão): Terá que defender que o modelo de privatização (provavelmente Corporation com Golden Share) traz eficiência e investimento, sem explodir a conta de luz.

O Julgamento de 2026

Diante desse cenário, a eleição de 2026 muda de figura. Não será apenas sobre nomes, mas sobre modelos de Estado.

  1. O Julgamento do Executivo: Se Matheus Simões (ou o candidato de Zema) vencer, o mercado lerá como um “sinal verde” do eleitor para avançar sobre a Cemig, ignorando a resistência da Assembleia.
  2. O Julgamento do Legislativo: Os deputados estaduais que votaram a favor da venda da Copasa entrarão na mira do voto de protesto, especialmente em cidades do interior dependentes da estatal.

Conclusão: O Fantasma da Urna

A eleição de 2026 não será um plebiscito formal sobre a Cemig — a burocracia para isso acabou. Será, no entanto, um plebiscito político sobre o legado liberal de Zema.

A Copasa foi o laboratório. A Cemig será a batalha final. E o eleitor mineiro, tradicionalmente desconfiado, terá que decidir se confia no modelo privado ou se prefere manter o Estado como dono da chave de luz.

The Politica
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O The Política é uma coluna que escreve sobre política local de forma especializada, com análises precisas e profundas do cenário político, sempre focado nos temas mais atuais e importantes para o brasileiro.