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Zema depois de Zema: O que resta ao governador se o Planalto não vier?

Romeu Zema se adiantou. Em 18 de agosto de 2025, o governador mineiro oficializou sua pré-candidatura ao Planalto, tentando ocupar o vácuo da direita antes que Tarcísio de Freitas ou Ronaldo Caiado fizessem seus movimentos. Mas, meses depois, a realidade impôs uma fotografia incômoda: o “modo presidenciável” não pegou no tranco.

Pesquisas recentes mostram Zema estagnado, oscilando entre 2,7% e 5,2% das intenções de voto nacionais. O governador é um gigante em Minas, mas ainda luta para deixar de ser um “nanico” no resto do Brasil. Diante desse cenário, a pergunta que circula nos bastidores da Praça da Liberdade é inevitável: se o sonho presidencial acabar, qual é o plano B?

A Armadilha do “Bom Gestor”

Zema enfrenta três travas que dinheiro e boa vontade dificilmente resolvem a curto prazo:

  1. Desconhecimento: Fora do Sudeste, ele ainda é um rosto desconhecido para o grande público.
  2. Direita Superlotada: O eleitorado conservador já tem donos (o clã Bolsonaro) e alternativas com máquinas mais pesadas (Tarcísio em SP).
  3. Partido de Nicho: O Novo é eficiente, mas não tem a capilaridade do “Centrão”. Campanha presidencial sem exército na rua é cara e solitária.

As 4 Rotas Possíveis para o “Pós-Zema”

Se a candidatura continuar sem tração, Zema terá que escolher um destes caminhos em 2026:

1. O Fiador de Luxo (A Barganha) É o cenário mais realista. Zema mantém a pré-candidatura até o limite para valorizar o passe e, na hora H, negocia apoio a um nome mais viável (como Tarcísio). Em troca, garante ministérios, agenda de reformas e protagonismo num eventual governo de direita.

Veredito: Sai como estadista que “uniu a direita”, sem o desgaste da derrota nas urnas.

2. O “Dono” do Partido Mesmo sem Planalto, Zema pode sair do governo para liderar a expansão do Novo, elegendo bancadas e prefeitos. O partido já trata 2026 como o teste de fogo da “Herança Zema”.

Veredito: Preserva o capital de gestor, mas perde a caneta.

3. O Senado (O “Não” que vira “Sim”) Zema já disse à CNN que não tem perfil parlamentar e descartou o Senado. Mas na política brasileira, a sobrevivência fala mais alto. O Senado seria um “porto seguro” com mandato de 8 anos, imunidade e tribuna nacional.

Veredito: Seria uma contradição com seu discurso antipolítica, mas garantiria palco.

4. A Saída Limpa (Volta para Araxá) Existe um futuro silencioso: Zema decide não se expor a uma derrota nacional humilhante e sai da vida eletiva. Volta para o setor privado com a faixa de “ex-governador bem avaliado” e vira um “Grande Eleitor” em Minas.

Veredito: Rota de quem prefere sair por cima a sangrar em praça pública.

Conclusão: O Ativo Real é Minas

Hoje, o maior trunfo de Romeu Zema não está em Brasília, mas em Belo Horizonte. Seu poder real reside na capacidade de fazer o sucessor (Matheus Simões) e manter Minas Gerais como vitrine do seu modelo de gestão.

Se a candidatura presidencial não reagir, Zema terá que tomar a decisão mais difícil para um político vaidoso: aceitar que, às vezes, ter influência vale mais do que ter o cargo.

The Politica
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