HomeMídia em MGEduardo Costa fica fora da ALMG após deixar o microfone pela política

Eduardo Costa fica fora da ALMG após deixar o microfone pela política

Publicado em

Quem acompanha Eduardo Costa pelo rádio ou pela televisão conhece sua posição habitual: a de quem comenta os acontecimentos, questiona decisões e cobra respostas. Nas eleições deste domingo, 4 de outubro, o apresentador tentou transformar essa relação com o público em um mandato de deputado estadual, mas não conquistou uma cadeira na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

Candidato pelo União Brasil, o jornalista ficou fora dos 77 eleitos para a legislatura que começa em 2027. Seu nome não aparece na relação divulgada pela ALMG, e o resultado interrompe, nesta eleição, o projeto de passar da cobrança diária sobre os políticos à responsabilidade de exercer um mandato.

- Publicidade -

A candidatura havia sido anunciada com um sentido pessoal de urgência. Em maio, Costa afirmou: “Eu tô disposto, é agora ou nunca”. A declaração ajuda a compreender o peso dessa tentativa para um profissional que construiu sua trajetória diante de sucessivas gerações de ouvintes e telespectadores.

A decisão de se colocar do outro lado da cobrança

Na cobertura do anúncio, o Moon BH recorreu à imagem de deixar de ser pedra para virar vidraça. A comparação descrevia uma mudança concreta de posição: ao apresentar sua candidatura, Costa também submetia suas próprias propostas e escolhas ao julgamento que, durante anos, ajudou o público a fazer sobre outras figuras políticas.

Essa mudança começa antes mesmo da posse. A campanha exige que o comunicador apresente compromissos em nome próprio, escolha uma legenda e procure convencer pessoas que podem gostar de ouvi-lo, mas não necessariamente concordam com suas posições.

- Publicidade -

É nessa diferença entre audiência e voto que o resultado encontra seu principal interesse para a mídia mineira. O reconhecimento facilita a apresentação de um candidato ao eleitor, mas não permite presumir o desfecho de uma disputa, nem explicar sozinho uma vitória ou uma derrota.

Também seria precipitado atribuir o resultado apenas à força da imagem do jornalista. Para entender o desempenho eleitoral, seria necessário examinar sua distribuição de votos, a organização da campanha e a disputa dentro da federação pela qual concorreu.

Uma trajetória que atravessa o rádio e a televisão mineira

Reprodução – TV Alterosa

A identificação de Eduardo Costa com a Rádio Itatiaia foi construída ao longo de décadas. Seu afastamento para a campanha retirou da programação uma voz associada à conversa cotidiana sobre os problemas de Minas, em uma relação de familiaridade que vai além de uma entrevista ou de uma notícia isolada.

- Publicidade -

Na televisão, sua carreira também atravessou emissoras diferentes. Costa apresentou o MG no Ar, na Record Minas, e posteriormente comandou o Boa Tarde Minas, na Band, antes de seguir para a TV Alterosa.

A contratação pela Alterosa foi confirmada em fevereiro de 2025. Nos meses seguintes, sua presença na emissora ganhou novos espaços, incluindo comentários no Jornal da Alterosa, como mostrou o Moon BH ao acompanhar aquela reorganização da programação.

Esse percurso explica por que a candidatura despertava interesse também fora da editoria de política. A decisão envolvia um profissional que fazia parte da rotina de quem ligava o rádio pela manhã ou acompanhava o noticiário local na televisão.

O resultado eleitoral não define sozinho o próximo passo

A derrota estabelece o desfecho da candidatura em 2026, mas não permite anunciar, por consequência, uma aposentadoria, uma mudança de emissora ou uma volta imediata à programação. Cada uma dessas possibilidades depende de uma decisão profissional e de uma comunicação específica.

Até aqui, o dado confirmado é que Costa não conquistou o mandato pretendido. Para o público que acompanhou sua saída do ar, a próxima informação relevante será o que ele e as emissoras anunciarem sobre a continuidade de sua carreira.

A familiaridade construída no microfone permanece como parte de sua história. O que as urnas mostraram neste domingo é que essa história, embora importante para apresentar um nome ao eleitorado, não assegura sua entrada na Assembleia.

- Publicidade -
Anna Millard
Anna Millard
Jornalista pela Universidade Federal de Ouro Preto. Tem experiência em jornalismo esportivo, cidades e economia. Passou pelo setor público em assessoria de comunicação e assessoria de imprensa.