Mauro Tramonte é o caso mais conhecido em Minas Gerais de apresentador de TV que transformou audiência em voto. Deputado estadual pelo Republicanos, ele volta a ser diretamente afetado pela regra que tira pré-candidatos da rádio e da televisão no período pré-eleitoral. Tramonte ficou marcado pelo Balanço Geral, da Record Minas, programa que apresentou por anos e que o tornou um dos nomes mais conhecidos da TV popular no estado. Em 2018, esse reconhecimento se converteu em força eleitoral concreta: ele foi eleito deputado estadual com a maior votação para a Assembleia Legislativa naquele ano.
Depois da eleição de 2018, se reelegeu em 2022 e depois Tramonte disputou a Prefeitura de Belo Horizonte em 2024, quando precisou se afastar temporariamente da televisão por causa da mesma exigência legal. Após o pleito municipal, retornou à programação da Record Minas em novo formato, no MG no Ar. Agora, com a eleição de 2026 se aproximando, a situação se repete: se mantiver a candidatura, Tramonte não poderá seguir apresentando ou comentando programa de televisão depois do prazo eleitoral.
Jornalista com mandato na ALMG
O caso de Tramonte ajuda a explicar por que esse tipo de regra existe na legislação eleitoral brasileira. Ele não é um comunicador sem lastro político testado nas urnas. É um deputado em exercício, com mandato consolidado, partido estruturado e histórico eleitoral competitivo em mais de uma disputa.
Ao mesmo tempo, segue sendo um apresentador reconhecido por milhares de telespectadores em todo o estado. Essa combinação cria uma vantagem evidente sobre outros candidatos: presença cotidiana na casa do eleitor, linguagem popular e associação direta entre a imagem de comunicador querido pelo público e a figura do político em campanha.
A lógica por trás da restrição antes das eleições é proteger um mínimo de igualdade de condições entre os concorrentes, evitando que um candidato use uma vitrine diária e gratuita enquanto os demais dependem exclusivamente de estrutura de campanha tradicional.
A força real da visibilidade diária

Tramonte sabe, melhor do que quase qualquer outro político mineiro, como a televisão pode impulsionar uma candidatura. Sua votação expressiva em 2018 e sua presença consistente nas pesquisas de 2024 mostraram que a visibilidade diária na TV tem peso eleitoral real, não apenas simbólico.
Esse histórico também explica por que o deputado retornou à Record Minas assim que pôde, depois da disputa municipal de 2024. A presença regular na programação não serve apenas como forma de comunicação institucional. Funciona como manutenção contínua de capital político entre um ciclo eleitoral e outro, renovando o reconhecimento de nome junto ao eleitorado mesmo fora do período de campanha.
O momento de testar a força sem a câmera
A nova saída da televisão, portanto, não é um detalhe burocrático na trajetória de Tramonte. É o momento em que o deputado precisa provar, mais uma vez, que sua força eleitoral não depende exclusivamente da câmera ligada todos os dias.
Diferentemente da disputa de 2018, quando chegou à Assembleia Legislativa vindo diretamente da televisão sem mandato prévio, Tramonte agora soma a esse capital de comunicador a experiência acumulada como parlamentar em exercício.





