A TMC, antiga Transamérica, perdeu força no ranking de audiência de rádio em Belo Horizonte após a mudança de nome, formato e programação. Na medição mais recente da Kantar IBOPE Media, usada como referência pelo mercado radiofônico, a emissora aparece agora na 16ª posição da Grande BH, fora do top 15, em dados compilados pelo Tudorádio.
O dado chama atenção porque a 88.7 FM ocupava um espaço bem mais competitivo pouco antes da virada de marca. Em 2025, ainda como Transamérica, a emissora chegou a figurar no top 10 da capital mineira, em um momento em que combinava programação jovem/adulto, música, entretenimento e cobertura esportiva.
A comparação mostra o tamanho da mudança. Na leitura mais conservadora, a antiga Transamérica saiu da 9ª colocação, posição que sustentou em levantamentos de 2025, para o 16º lugar em 2026. São sete posições de diferença. Em outro recorte publicado no período de melhor desempenho, o quadro de movimentações chegou a indicar avanço da 9ª para a 8ª posição, o que amplia a distância atual para até oito colocações.
A queda ocorre depois de uma transformação profunda. Em outubro de 2025, a Transamérica deixou de operar como rede tradicional e foi substituída pela TMC, sigla de Transamérica Media Company. A nova marca passou a apostar em jornalismo, esporte, prestação de serviço, comentaristas nacionais, cobertura multiplataforma e uma identidade menos musical.
De top 10 à 16ª posição em BH
O melhor momento recente da 88.7 FM em Belo Horizonte aconteceu em 2025, antes da consolidação da TMC. Em julho, no levantamento referente ao trimestre abril a junho, a Transamérica ganhou uma posição e passou a ocupar a 9ª colocação geral no período 05h-00h, considerando FM+WEB, todos os dias e locais.
No mês seguinte, no panorama referente ao trimestre maio a julho, a emissora voltou a ser destacada. O relatório apontou alta de cerca de 19% na audiência e reforçou que a 88.7 FM havia entrado no top 10. Naquele momento, a rádio aparecia entre as principais forças intermediárias do dial, atrás das líderes consolidadas, mas à frente de concorrentes tradicionais da faixa média do ranking.

Em outubro de 2025, no levantamento de julho a setembro, a Transamérica ainda sustentava a 9ª colocação pelo terceiro levantamento consecutivo. A emissora estava em um bloco apertado com CDL FM e Light FM, mas permanecia dentro do top 10.
Esse é o contraste central da nova medição. Agora, já como TMC, a estação aparece atrás de rádios como América FM e próxima da 98 News, mas fora da lista das 15 maiores audiências da Grande BH. A movimentação indica que a emissora perdeu espaço justamente no período em que a nova identidade passou a ser percebida de forma mais completa pelo público.
É importante fazer uma ressalva: a queda não pode ser atribuída exclusivamente à troca de nome. Audiência de rádio depende de alcance, tempo médio de escuta, hábito do público, concorrência, grade local, força promocional, mudanças de consumo e até do desempenho do meio FM como um todo. Ainda assim, a coincidência temporal entre a mudança de formato e a perda de posição torna o caso relevante para o mercado mineiro.
Por que a mudança de formato pesa
A antiga Transamérica tinha uma herança clara para o ouvinte de BH: música, linguagem jovem/adulta, entretenimento e esporte. Mesmo com alterações ao longo dos anos, era uma marca reconhecida no dial e carregava memória afetiva para parte do público.
A TMC entrou em outro terreno. A proposta nacional passou a ser de informação, análise, prestação de serviço e cobertura esportiva, com nomes de projeção nacional e presença digital. É uma aposta mais próxima de uma plataforma de conteúdo do que de uma FM musical tradicional.
O problema é que Belo Horizonte já é uma praça muito competitiva nesse campo. A Itatiaia lidera com folga no formato popular/jornalismo-esportes e mantém uma hegemonia construída desde 2019. A CBN, a BandNews e a 98 News também disputam espaço no noticiário, enquanto rádios musicais fortes, como Liberdade, BH FM, Alvorada, Jovem Pan, Antena 1, 98 FM e Light, ocupam faixas muito bem definidas de público.
Nesse cenário, a TMC precisa reconstruir hábito. O ouvinte que ligava na Transamérica por música pode não permanecer em uma grade mais falada. Já o público interessado em notícia e esporte tem opções consolidadas, especialmente em uma cidade onde a cobertura de Atlético, Cruzeiro, América, trânsito e política local é decisiva.
A mudança, portanto, não é apenas de logotipo. É uma troca de promessa editorial. E, no rádio, promessa editorial pesa porque o consumo é altamente rotineiro. O ouvinte sabe em qual estação encontra música para o carro, informação pela manhã, futebol à noite ou companhia durante o trabalho.
O desafio da TMC em Belo Horizonte
A atual 16ª posição não significa que o projeto esteja definido como fracasso. A TMC ainda está em fase de maturação e a audiência de rádio costuma reagir com atraso a mudanças de grade. A própria medição trabalha com trimestres móveis, o que faz com que cada resultado carregue parte do comportamento anterior e parte do novo momento.





