Se você está guardando dinheiro para ver uma estrela internacional em Belo Horizonte este ano, pode marcar um mês no calendário: Setembro. Fontes ligadas ao mercado de entretenimento e à Prefeitura indicam que, se a capital mineira entrar na rota das grandes turnês em 2026, isso acontecerá no segundo semestre.
O motivo não é o clima ou o feriado da Independência, mas uma questão puramente matemática e logística chamada Rock in Rio.
A Lógica do “Puxadinho de Luxo”
Para um artista como Shakira, Lady Gaga, Beyoncé ou Bruno Mars vir ao Brasil, a operação envolve centenas de toneladas de equipamento, aviões cargueiros e uma equipe de 100 a 200 pessoas.
- Custo Isolado: Trazer essa estrutura dos EUA ou Europa apenas para um show em BH custaria uma fortuna inviável (cachê cheio + logística internacional).
- Custo Compartilhado (Roteamento): Quando o artista já está confirmado no Rock in Rio (que acontece tradicionalmente em setembro nos anos pares), ele já está no país.
A estratégia da Prefeitura e das produtoras locais é aproveitar essa “carona”. Negociar uma data extra em BH (antes ou depois do show no Rio) sai muito mais barato, pois o custo logístico é apenas o transporte Rio-BH (500 km), e não Miami-BH.
O Calendário Mágico: Rock in Rio e The Town
O Brasil consolidou setembro como o “mês da música internacional” devido à alternância dos dois maiores festivais do país, ambos organizados pela mesma família (Medina):
- Anos Pares (2026): Rock in Rio (Rio de Janeiro).
- Anos Ímpares (2027): The Town (São Paulo).
Isso significa que, todo mês de setembro, o Brasil está cheio de headliners globais procurando datas extras para maximizar o lucro da viagem à América do Sul. É nessa brecha que BH tenta se encaixar.
O Desafio da Agenda em BH
O problema é a concorrência. São Paulo, Curitiba e Porto Alegre também brigam por essas datas extras. Para BH vencer essa disputa e garantir o show em setembro de 2026, a cidade precisa oferecer:
- Local Adequado: Uma grande avenida, que comporte um grande público capaz de inflar o ego dos artistas.
- Incentivo: Apoio da Prefeitura na logística, segurança e isenções fiscais (como redução de ISS), algo que o Rio já faz com maestria.
Resumo: Se houver anúncio de megashow, espere que ele ocorra entre o final de agosto e o fim de setembro. Fora dessa janela, o custo do “cachê isolado” torna o ingresso proibitivo para o mercado mineiro.