O Santos adotou uma postura de mercado contundente: a urgência competitiva imediata atropelou a tradicional dependência exclusiva da base. A diretoria deixou claro que a prioridade do momento é contratar jogadores prontos para resolver carências no elenco, mesmo que a estratégia envolva manter joias valiosas, como o lateral JP Chermont, longe da Vila Belmiro.
Esse choque de filosofias ficou evidente em duas movimentações recentes que se cruzam. De um lado, o empréstimo do lateral de 20 anos ao Coritiba. De outro, a pesada — e travada — investida pelo zagueiro argentino Marco Di Cesare, do Racing, escancarando a caça da comissão técnica por reforços de impacto.
Por que o Peixe “esconde” uma joia de € 6 milhões?
A cessão de Chermont ao Coritiba até o fim de 2026 passa longe de uma desistência técnica. O Santos vetou a inclusão de qualquer opção de compra no contrato, sinalizando controle absoluto sobre o ativo. O diagnóstico interno definiu que o atleta precisava de maturação tática longe do triturador de pressão que a Vila Belmiro se tornou.
O valor do lateral é inquestionável. Antes do negócio com o clube paranaense, o Ajax insistiu na contratação da promessa. A diretoria santista exigiu 6 milhões de euros (cerca de R$ 32 milhões) para liberar o jogador, esfriando a ida para a Europa. A aposta de rodagem funcionou: Chermont aproveitou a lesão de Tinga, ganhou espaço sob o comando de Fernando Seabra no Coritiba e acumula a rodagem projetada.
A barreira impiedosa na caça por um zagueiro

Enquanto a base ganha minutos fora, o departamento de futebol corre contra o tempo para comprar estabilidade. A investida por Di Cesare desenha perfeitamente o perfil exigido: defensores testados, capazes de assumir a titularidade sem pedir tempo de adaptação.
O negócio só não andou devido a uma exigência inflexível do Racing. Os argentinos pediram o pagamento à vista de 80% do valor total da operação de R$ 31 milhões. O desembolso imediato de R$ 24,8 milhões congelou as conversas, mas confirmou que o Santos está disposto a abrir o cofre por soluções de curto prazo para corrigir as rotas.
Pressão imediata no Brasileirão
A mensagem de bastidores é realista: os Meninos da Vila continuam sendo fundamentais para o caixa, mas nem sempre estarão disponíveis para tapar os buracos táticos de hoje. É uma escolha clara de “timing” competitivo.
O calendário não permite esperas. Após estrear com uma dura derrota por 1 a 0 para o Deportivo Cuenca na Copa Sul-Americana, o Santos volta a campo em estado de alerta. O Peixe enfrenta o Atlético-MG neste sábado, 11 de abril, às 20h, na Vila Belmiro, pelo Campeonato Brasileiro. Sem seu zagueiro dos sonhos e com a base maturando no Sul, a equipe principal precisará entregar resultados práticos diante de sua torcida.