O Santos não trata o retorno imediato de JP Chermont como prioridade, e o cenário ajuda a explicar duas leituras ao mesmo tempo: o bom momento do lateral no Coritiba e a avaliação de que ele ainda pode evoluir mais com sequência fora da Vila. Segundo o ge, o jogador de 20 anos foi emprestado ao clube paranaense até o fim de 2026, movimento pensado para ampliar rodagem e acelerar maturação competitiva.
Essa lógica ganhou força nas últimas semanas. Chermont entrou rápido no radar do time de Fernando Seabra, aproveitou a brecha aberta no setor e passou a ser tratado como peça útil no presente, não apenas como aposta de futuro. Para um lateral jovem, esse detalhe pesa muito: valorização real costuma vir quando o atleta deixa de ser promessa e passa a acumular minutos, responsabilidades e jogos de Série A.
Chermont cresce jogando, e isso muda a conta
Hoje, JP Chermont tem valor de mercado estimado em € 3 milhões no Transfermarkt. Para um lateral-direito de 20 anos, ainda em processo de afirmação e emprestado, é uma cotação relevante. Ela ajuda a mostrar que o Santos segue olhando para o jogador como ativo importante, mesmo sem espaço imediato no time principal.
Esse ponto ajuda a entender por que não faria tanto sentido interromper agora um empréstimo que começou a render. Um lateral nessa faixa de mercado tende a crescer mais atuando com frequência do que voltando para disputar espaço em um ambiente onde ainda não seria unanimidade esportiva. Nesse sentido, a cessão também funciona como estratégia de valorização, além de formação. Essa é uma leitura analítica baseada na idade do atleta, no valor de mercado e na sequência atual no Coritiba.
Como ele se encaixaria no time de Cuca
No papel, Chermont poderia ser útil ao Santos como lateral de apoio, com energia para atacar o corredor e sustentar amplitude em um time que costuma concentrar muita criação por dentro. Esse tipo de perfil combina com um desenho em que Neymar circula por zonas interiores e os laterais precisam oferecer profundidade para o campo não estreitar demais.
O problema é o timing. No curto prazo, Cuca trabalha para dar resposta rápida a uma equipe em reconstrução, e o provável time para enfrentar o Remo mostra Igor Vinícius como titular na direita. Ou seja: o treinador já opera hoje com uma solução mais pronta para a função, mesmo sem fechar totalmente a porta para ajustes futuros no setor.
Por que o retorno não parece útil agora
A resposta mais objetiva é simples: o Santos parece ganhar mais com Chermont jogando fora do que apenas compondo elenco de volta. Em 2025, ele teve pouco espaço no profissional e somou apenas 14 partidas antes de sair por empréstimo, o que reforça a ideia de que a prioridade era dar rodagem, não segurar uma solução pronta e represada.
Além disso, se voltasse agora, o lateral correria o risco de entrar como opção mais distante na hierarquia e perder justamente o que começa a conquistar no Coritiba: continuidade. Para um jogador de 20 anos, esse costuma ser o ponto que mais acelera evolução técnica e leitura de jogo. O Santos, por sua vez, pode colher dois ganhos mais à frente: receber de volta um atleta mais pronto ou um ativo ainda mais valorizado. Essa é uma inferência apoiada no estágio atual de uso do jogador e na composição do elenco santista.
No próximo compromisso, o Santos recebe o Remo na quinta-feira, 2 de abril, às 19h, na Vila Belmiro, pela 9ª rodada do Brasileirão, com transmissão de sportv e Premiere. Se a estratégia atual se mantiver, Chermont seguirá crescendo longe da Vila enquanto Cuca busca respostas mais imediatas para o curto prazo.