HomeEsportesSantosO roteiro de blindagem de Neymar no Santos já tem data definida

O roteiro de blindagem de Neymar no Santos já tem data definida

O Santos já desenhou a gestão de carga do Camisa 10 até a convocação final da Seleção. A lógica é simples: Neymar não será tratado como jogador para atuar no automático. Será usado em blocos. E, se for convocado por Carlo Ancelotti em 18 de maio, a tendência é que ele nem volte a jogar pelo clube depois da lista, justamente para chegar inteiro aos compromissos do Brasil no fim do mês.

O motivo é claro. O Peixe entra em um trecho de calendário que mistura Brasileiro, Sul-Americana e Copa do Brasil, com viagens pesadas e pouco intervalo de recuperação. Em vez de forçar presença em tudo, o clube quer escolher onde gastar Neymar.

Gestão de carga do Camisa 10 vira prioridade

O Santos terá 14 jogos até 18 de maio, e a tendência é que Neymar participe de metade pelo menos, não de todos. Isso significa, na prática, que a comissão vai trabalhar com uma escala de uso, e não com sequência contínua.

A Tribuna resumiu bem o tamanho do problema: abril terá nove partidas em 26 dias, média de menos de três dias entre um compromisso e outro. Para um jogador que já vem sendo preservado por controle de carga, esse cenário praticamente obriga o clube a fazer cortes cirúrgicos.

O Santos sente esse peso porque o time ainda é muito mais perigoso quando Neymar está em campo. Ao mesmo tempo, o clube sabe que não pode tratar cada rodada como decisão isolada e comprometer o que realmente importa no médio prazo: ter o camisa 10 saudável até a convocação e, se ela vier, até a Copa.

Abril terá maratona, altitude e viagens longas

O começo de abril já mostra por que o plano de blindagem ganhou tanta força.

O Santos enfrenta o Remo em 2 de abril, na Vila Belmiro; depois pega o Flamengo em 5 de abril, no Maracanã; e, em seguida, estreia na Sul-Americana contra o Deportivo Cuenca, no Equador, em 8 de abril. Só essa sequência já mistura jogo em casa, viagem ao Rio e deslocamento internacional para altitude.

O primeiro corte mais provável: Cuenca. A leitura é que será difícil imaginar Neymar nessa partida, justamente porque o deslocamento é pesado e o jogo acontece na altitude, logo depois da dobradinha Remo-Flamengo.

Depois disso, a agenda ainda segue apertada, com compromissos contra Recoleta, Coritiba, Bahia, San Lorenzo, Palmeiras e novo duelo de Copa do Brasil até a véspera da lista final. Ou seja: o Santos não está gerindo apenas minutos. Está gerindo terreno, viagem, recuperação e risco.

Sintético entra no radar, mas sem veto oficial do Santos

Até aqui, não houve anúncio de veto formal a gramados sintéticos.

Mas o histórico recente mostra que esse fator pesa. Em fevereiro, a tendência já era preservar Neymar contra o Athletico-PR por causa do sintético da Arena da Baixada, e o próprio jogador criticou publicamente esse tipo de piso. Por isso, o jogo contra o Palmeiras no Allianz Parque, marcado para 2 de maio, entra naturalmente no radar de preservação, ainda que o clube não tenha cravado isso de forma oficial.

O mesmo vale para viagens longas. Cuenca é o exemplo mais evidente, mas Buenos Aires e Assunção também entram na conta. A blindagem não será feita apenas olhando para o calendário bruto, e sim para o custo físico de cada deslocamento.

No fundo, esse é o equilíbrio que o Santos tenta encontrar: não abrir mão do seu principal jogador, mas também não esgotá-lo antes da hora. O plano não é esconder Neymar. É escolher com precisão onde ele realmente precisa estar.

Naiara Souza
Naiara Souza
Jornalista formada há quase dez anos pela Universidade Estácio de Sá, cobre o futebol há mais de cinco anos, focada em Cruzeiro, Atlético, Palmeiras e Flamengo, e também as notícias mais importantes sobre Belo Horizonte e Minas Gerais.