A bola vai rolar daqui a pouco, às 16h deste domingo (22), no Mineirão, e a torcida cruzeirense que lota as arquibancadas já tem uma certeza absoluta: não haverá risco de “lei do ex” por parte de Gabigol. O atacante é o principal desfalque do Santos para o clássico nacional válido pela 8ª rodada do Campeonato Brasileiro, frustrando a expectativa de quem aguardava um duelo de peso no gramado de Belo Horizonte.
A ausência do camisa 9 não se deve a problemas físicos ou opções táticas da comissão técnica santista, mas a uma amarra puramente burocrática e financeira.
A implacável “cláusula do medo“
Gabigol não pode entrar em campo hoje porque os seus direitos econômicos pertencem ao próprio Cruzeiro. Cedido ao time da Vila Belmiro por empréstimo, o contrato do atacante possui a tradicional “cláusula do medo” — um mecanismo jurídico padrão no futebol brasileiro que impede um atleta emprestado de atuar contra o seu clube formador ou detentor de seus direitos.
Para que Gabigol pudesse calçar as chuteiras e pisar no gramado do Mineirão nesta tarde, a diretoria do Santos precisaria desembolsar uma multa milionária à vista para a SAF cruzeirense. Diante do alto custo da operação para apenas uma partida do Campeonato Brasileiro, a cúpula alvinegra optou por vetar a participação do jogador, poupando os cofres do clube.
O peso duplo no Santos: Sem Gabigol e sem Neymar

O problema tático para o Santos ganha contornos dramáticos porque a ausência de Gabigol não é um fato isolado. A equipe paulista também entra em campo desfalcada de sua maior estrela e referência técnica absoluta: Neymar. Sem a sua badalada “dupla de ouro”, o setor ofensivo do Peixe perde drasticamente o poder de fogo, a capacidade de retenção de bola e a imposição que costuma intimidar as defesas adversárias.
A responsabilidade de comandar o ataque santista no caldeirão do Mineirão recaiu sobre os ombros de outros nomes do elenco, que agora precisam provar que a equipe não é dependente apenas de seus medalhões mais caros.
O desabafo no v estiário e a confiança de Rony

O clima de tensão pela falta das duas superestrelas foi pauta aberta na concentração santista. O atacante Rony, que assume a linha de frente da equipe neste domingo, concedeu entrevista no pré-jogo e não escondeu o impacto que os desfalques causam no planejamento tático do elenco. Ao mesmo tempo, ele tentou blindar o grupo e focar na superação coletiva.
“Ah, sem dúvida (fazem falta). A gente sabe da importância que os dois têm no nosso elenco, mas eu acredito que hoje a gente vai representar a ambos e representar a equipe dentro de campo”, declarou Rony, confirmando a urgência de entregar um bom resultado mesmo diante de um cenário amplamente adverso fora de casa.
O cenário perfeito para o Cruzeiro
Do outro lado, o Cruzeiro enxerga o cenário perfeito para fazer valer o seu mando de campo. Enfrentar um adversário direto na tabela que está sangrando sem as suas duas principais referências técnicas é a oportunidade de ouro para a equipe celeste se impor fisicamente e buscar mais três pontos cruciais no Campeonato Brasileiro. Com a torcida a favor e o adversário enfraquecido pela própria engenharia dos contratos, a Raposa tem o favoritismo tático nas mãos.
O duelo decisivo tem transmissão ao vivo pela TV Globo e pelo canal Premiere a partir das 16h.