O empate por 2 a 2 entre Santos e Mirassol, na noite desta terça-feira (10), transcendeu as quatro linhas e virou um verdadeiro episódio de xadrez político envolvendo a Seleção Brasileira. Sob os olhares atentos do técnico Carlo Ancelotti nas arquibancadas, o Peixe perdia por 2 a 0 até a reta final da partida, quando Gabigol chamou a responsabilidade e marcou dois gols em um intervalo de apenas oito minutos (aos 35 e 43 do segundo tempo), evitando um vexame no interior paulista.
No entanto, o verdadeiro espetáculo aconteceu nos microfones após o apito final.
O “desencontro” no Santos e a frustração da CBF
O roteiro original da noite previa Neymar como a grande estrela. Carlo Ancelotti viajou a Mirassol com o objetivo exclusivo de observar o camisa 10, de olho na próxima convocação da Seleção, agendada para o dia 16 de março. Contudo, a comissão técnica santista decidiu poupar o craque de última hora devido a um quadro de fadiga e desgaste muscular.
O timing não poderia ser pior. Segundo apurações da agência Reuters, a ausência de Neymar gerou enorme surpresa e frustração nos bastidores da CBF. Ancelotti já deixou claro internamente que a sua lista contemplará apenas atletas 100% aptos fisicamente.
Gabigol pede que Ancelotti vá ver Neymar jogar

Foi exatamente nesse cenário de tensão e de uma “viagem perdida” do treinador tetracampeão da Champions League que Gabigol mostrou sua inteligência de vestiário. Em vez de usar os seus dois gols salvadores para fazer um lobby pessoal por uma vaga na Seleção, o atacante desviou os holofotes e fez um convite público:
“Espero que o Ancelotti vá domingo lá na Vila. Não para me ver, mas para ver o Neymar.”
A frase é um movimento cirúrgico. Ela protege o companheiro de equipe das críticas pela ausência, reforça a unidade do elenco santista e, de quebra, joga toda a responsabilidade e expectativa para o clássico do próximo domingo contra o Corinthians, na Vila Belmiro.