O Santos entrou em 2026 decidido a chocar o mundo do futebol. Ao repatriar Neymar e trazer Gabigol de volta à Vila Belmiro, o Peixe montou, no papel, o ataque mais midiático e caro da América do Sul. Mas por trás dos holofotes e da festa da torcida, existe uma engenharia financeira de altíssimo risco operando nos bastidores.
O clube aprovou um orçamento prevendo um déficit de R$ 94 milhões para a temporada e, sem um patrocínio máster definido após a saída da Bet7K, está recorrendo à venda de joias da base apenas para manter os salários em dia.
A pergunta que o mercado se faz é: como a conta fecha? A resposta envolve contratos complexos de imagem, divisão de salários com rivais e a dependência urgente de vender garotos para sustentar veteranos.
O “Custo Neymar”: R$ 105 Milhões e Sócio na Receita
Neymar não voltou apenas como jogador; voltou como parceiro comercial que cobra caro. O pacote para ter o craque envolve cifras assustadoras:
- O Valor: Segundo a ESPN, o acordo mínimo gira em torno de R$ 105 milhões (entre salários e dívidas de imagem parceladas).
- A Pegadinha da Imagem: A grande sacada (ou risco) é o acordo com a NR Sports (empresa do pai de Neymar). De todo o dinheiro novo que entrar no clube graças à presença do craque (a chamada “mais-valia”), 75% fica com a empresa de Neymar e apenas 25% com o Santos. Ou seja: Neymar atrai patrocinadores, mas leva a maior parte do dinheiro que ele mesmo gera, deixando o Santos com a glória esportiva e a conta fixa para pagar.
Gabigol: O Luxo “Compartilhado”

Para ter Gabriel Barbosa, o Santos usou a criatividade. O salário do atacante supera a casa dos R$ 2,5 milhões mensais. Sozinho, o Peixe não pagaria. A solução foi dividir a conta:
- A Divisão: O Santos paga 60%, e o Cruzeiro (dono dos direitos) segue pagando 40%. Mesmo com o “desconto”, o custo santista ainda é de um jogador de elite, somando-se à folha já inflada por Neymar.
Vendendo o Futuro para Pagar o Presente
A prova de que o cobertor é curto veio nesta semana. Sem o dinheiro do patrocínio máster (o mercado de bets retraiu e as ofertas caíram de R$ 100 milhões para cerca de R$ 40 milhões), o Santos precisou agir. O ge revelou que a venda do lateral Souza ao Tottenham, por cerca de R$ 95 milhões, teve um destino claro: garantir o fluxo de caixa para pagar salários.
O clube está, literalmente, vendendo suas promessas de 20 anos para bancar os ídolos de 30. É uma estratégia de “tudo ou nada”: se os títulos vierem, a conta se paga com premiação e glória. Se não vierem, o buraco financeiro de 2026 pode ser irreversível.