O futebol tem um jeito peculiar de escrever roteiros que parecem ficção. Menos de três meses após viver um dos momentos mais amargos de sua passagem pelo Cruzeiro — o pênalti perdido na Neo Química Arena que custou a vaga na final da Copa do Brasil —, Gabriel Barbosa, o Gabigol, pode ter sua “estreia de gala” pelo Santos justamente contra o algoz daquele trauma.
O clássico desta quarta-feira (22), na Vila Belmiro, pela 4ª rodada do Paulistão 2026, virou a “data-alvo” para o retorno do atacante aos gramados como titular. A presença do camisa 10 (ou 99, dependendo da inscrição) ainda é tratada com cautela devido a uma tendinite que o tirou da rodada anterior, mas o simbolismo do confronto transformou a recuperação física em uma questão de honra.
O Santos preservou Gabigol no empate contra o Guarani justamente para focar no tratamento intensivo visando o clássico. Não há uma lesão grave, mas sim um desgaste no tendão que exige cuidado para não virar problema crônico.
O técnico Juan Pablo Vojvoda adota o discurso de prudência, condicionando a escalação à resposta do atleta nos últimos treinos, mas nos bastidores a mobilização é total. A ideia é ter Gabigol em campo, mesmo que não seja por 90 minutos, para aproveitar o fator psicológico e a atmosfera da Vila contra o rival que marcou negativamente o fim de seu 2025.
O Fantasma de Hugo Souza no Santos

O reencontro com o Corinthians carrega um peso que vai além dos três pontos no Estadual. A imagem de Gabigol ajeitando a bola, batendo no canto e vendo Hugo Souza defender a cobrança decisiva na semifinal da Copa do Brasil ainda está fresca na memória do torcedor — tanto do cruzeirense, que lamentou, quanto do corintiano, que celebrou.
- A Redenção: Marcar contra o Corinthians agora seria a virada de chave imediata. Sairia o peso do “vilão da eliminação” e entraria a aura do “ídolo que voltou para casa”.
- O Risco: Jogar sem estar 100% fisicamente contra uma defesa física como a do Corinthians pode expor o atacante a críticas precoces, caso ele não consiga render.
A Conta Financeira do Clássico
A pressão sobre Gabigol também tem cifrão. Sua volta ao Santos não é uma operação barata, mesmo sendo por empréstimo. O acordo costurado envolve uma divisão salarial pesada: o Santos paga 60% dos vencimentos, enquanto o Cruzeiro arca com os outros 40%.
Estamos falando de um pacote mensal total na casa dos R$ 2,5 milhões. Quando um clube (Santos) assume a maior parte dessa bronca para ter o jogador na Série A e no Paulista, a expectativa por retorno técnico é imediata. O clássico contra o Corinthians é o primeiro grande palco para justificar o investimento e mostrar que o “Menino da Vila” voltou para decidir, não para passear.