A imagem de Gabigol no banco de reservas, que se tornou comum nos últimos anos de sua passagem pelo Flamengo e se repetiu em sua estadia no Cruzeiro, voltou a chamar a atenção neste início de 2026, agora vestindo a camisa do Santos. No clássico contra o Palmeiras, o atacante começou entre os suplentes e entrou apenas na etapa final, levantando questionamentos na torcida: estaria o ídolo vivendo um novo declínio técnico?
A resposta, no entanto, é mais complexa. Embora o cenário visual seja o mesmo (colete de reserva), os motivos que levaram Juan Pablo Vojvoda a deixá-lo de fora são drasticamente diferentes das razões táticas de Leonardo Jardim na Raposa ou da hierarquia imposta por Tite no Rubro-Negro.
A decisão de Vojvoda foi puramente gestão de grupo e preservação física. O treinador argentino explicou que Gabigol vinha de uma partida intensa de 90 minutos na rodada anterior (onde inclusive marcou gol) e, sob forte calor, o risco de lesão aumentaria consideravelmente.
“Preciso administrar os minutos… não quero perdê-lo por riscos”, justificou o técnico. Ou seja, na Vila Belmiro, o banco não foi uma punição técnica ou sinal de desprestígio, mas sim uma estratégia para ter o artilheiro inteiro para a sequência do Paulistão.
Cruzeiro e Flamengo: Tática e Hierarquia
Se no Santos o banco é “gestão”, no passado recente os motivos foram outros.
- No Cruzeiro: A passagem pela Toca teve momentos de banco explicados pela tática. O técnico Leonardo Jardim chegou a deixar o atacante 90 minutos fora em jogos específicos, argumentando que partidas de transição rápida e “ataque à primeira bola” não favoreciam o estilo de Gabigol, preferindo jogadores de maior velocidade vertical.
- No Flamengo: A questão foi de status. Com a consolidação de Pedro como referência e o sistema de Tite, Gabigol perdeu a condição de titular absoluto. Mesmo após lesões do concorrente, ele não retomou automaticamente o protagonismo, caindo na hierarquia do elenco por questões de desempenho e encaixe no modelo de jogo da época.
A Nova Realidade do ‘Camisa 10’ (ele é o 9) no Santos

O que os três casos mostram em conjunto é que o futebol brasileiro mudou sua relação com os “intocáveis”. O currículo de Gabigol (bicampeão da América, artilheiro histórico) já não garante vaga automática se o contexto do jogo não pedir suas características. Hoje, os treinadores exigem dos atacantes:
- Pressão constante sem a bola e intensidade na marcação alta;
- Mobilidade para atacar espaços em velocidade;
- Participação ativa na recomposição defensiva. Quando o jogo pede “operários”, o “astro” pode sobrar. No Santos, porém, o cenário parece mais favorável: ele é peça central, mas está sendo dosado para não estourar na largada.
O Que Esperar de Gabigol em 2026
A tendência para as próximas rodadas é ver Gabigol recuperando a titularidade conforme sua condição física atinja o nível exigido por Vojvoda. Diferente do Flamengo, onde ele lutava contra um sistema que o rejeitava, ou do Cruzeiro, onde o estilo de jogo por vezes não casava, no Santos ele tem a confiança do treinador e o status de referência técnica.
O banco no clássico foi um “freio de mão” puxado pela comissão técnica para garantir que o carro chefe da equipe chegue inteiro até o fim do campeonato.