A crise esportiva colocou Abel Ferreira no centro das atenções do Palmeiras. A perda da liderança do Campeonato Brasileiro e a reação do treinador depois do empate com o Botafogo alimentaram críticas externas, mas outro assunto voltou a circular com força justamente dentro do clube.
O debate envolve Leila Pereira e a aproximação de sua família com o Vasco.
Segundo apuração publicada nesta quarta-feira (9) pelo UOL, conselheiros palmeirenses voltaram a demonstrar preocupação com a tentativa de Marcos Lamacchia de adquirir a SAF vascaína. Marcos é filho de José Roberto Lamacchia, marido da presidente do Palmeiras.
A negociação já era conhecida. O que mudou foi o contexto.
Vasco deixou de ser apenas um negócio distante
A aproximação entre o entorno de Leila e o clube carioca poderia parecer inicialmente uma discussão empresarial paralela ao futebol do Palmeiras. Os acontecimentos da temporada começaram a aproximar os dois lados esportivamente.
Palmeiras e Vasco estão classificados para a semifinal da Copa do Brasil. Isso significa que a possibilidade de um confronto direto deixou a discussão sobre eventuais conflitos de interesse muito menos abstrata.
A reportagem de Danilo Lavieri no UOL afirma que o assunto voltou a “ferver” entre integrantes do Conselho do Palmeiras.
É importante fazer uma distinção: Leila Pereira não é apresentada como compradora do Vasco.
O grupo interessado é liderado por Marcos Lamacchia. A questão levantada internamente está justamente na proximidade familiar e empresarial entre os envolvidos e na imagem que essa relação produz quando os dois clubes passam a disputar diretamente as mesmas competições.
Negociação pelo Vasco avançou novamente
O assunto ganhou ainda mais força porque a tentativa de aquisição do clube carioca continua em movimento.
Na terça-feira (8), a Almirante Participações, liderada por Marcos Lamacchia, apresentou mudanças em sua proposta pela nova SAF vascaína. Segundo outra apuração do UOL, o grupo se comprometeu, entre outros pontos, a apresentar garantia bancária de R$ 324 milhões caso vença o processo competitivo.
Também houve alterações relacionadas ao financiamento da recuperação judicial e às condições para uma futura transferência do controle.
Isso significa que o debate dentro do Palmeiras não reapareceu diante de uma hipótese distante.
A negociação efetivamente continua avançando.
Pressão sobre Abel ajuda a esconder outro problema

O contraste chama atenção porque o momento esportivo naturalmente concentra praticamente toda a discussão pública no treinador.
O Palmeiras perdeu recentemente a liderança do Brasileiro mesmo tendo menos derrotas que o Flamengo. Abel também passou a sofrer uma pressão mais intensa depois de declarações que repercutiram negativamente entre parte dos torcedores.
Ao mesmo tempo, o time permanece vivo em três frentes. Está nas quartas da Libertadores, na semifinal da Copa do Brasil e continua diretamente envolvido na disputa pelo Campeonato Brasileiro.
É justamente por isso que o caso Vasco ganha outra dimensão.
Se fossem clubes distantes esportivamente, a ligação empresarial poderia permanecer como um debate de governança. Quando Palmeiras e Vasco chegam às fases decisivas de uma mesma competição, cada encontro entre eles aumenta o escrutínio sobre essa relação.
Debate não significa irregularidade comprovada

Esse ponto precisa ficar claro.
A existência de questionamentos dentro do Palmeiras não prova que Leila, Marcos Lamacchia ou qualquer empresa relacionada tenha cometido uma irregularidade. O que existe é um incômodo político e institucional relatado entre conselheiros, provocado pela proximidade entre a presidente palmeirense e o grupo interessado no controle de um rival.
Também não há indicação, neste momento, de que as críticas internas sejam suficientes para provocar uma mudança de posição da dirigente.
O episódio revela, contudo, uma situação incomum.
Enquanto o debate externo tenta descobrir se Abel Ferreira ainda possui margem para recuperar o rendimento do Palmeiras, parte da política interna do clube olha para outro ponto.
O próximo problema alviverde pode não nascer no banco de reservas. Pode nascer justamente da proximidade cada vez maior entre dois clubes que, dentro de campo, estão prestes a se enfrentar por uma vaga em uma final.

