A venda de Allan para o Manchester City já entrou para a lista das maiores negociações da história do Palmeiras. Mas existe uma maneira ainda mais clara de dimensionar o tamanho do negócio: comparar o valor recebido com aquilo que todos os 20 clubes da Série A conseguiram movimentar na mesma janela.
Um levantamento do UOL baseado em dados do Transfermarkt calcula que as equipes da primeira divisão arrecadaram € 120,5 milhões com vendas e empréstimos no mercado de junho, julho e agosto. Allan sozinho foi negociado por € 37,5 milhões fixos, o equivalente a aproximadamente 31,1% desse total.
A comparação segue a mesma forma de contabilização usada pelo levantamento para as transferências e considera o valor inicial da operação, sem acrescentar os € 2,5 milhões condicionados a bônus. Ainda assim, quase um terço de tudo o que os 20 integrantes da elite arrecadaram está concentrado em apenas uma venda do Palmeiras.
Allan foi a única venda acima de € 20 milhões
O tamanho da diferença aparece quando a negociação é comparada com as demais. Segundo o levantamento, a segunda maior transferência desta janela foi a de Viery, do Grêmio para a Fiorentina, por € 15 milhões.
Depois aparecem Bruninho, negociado pelo Athletico-PR com o Shakhtar Donetsk por € 11 milhões, e Facundo Bernal, que deixou o Fluminense pelo Betis por € 10,5 milhões. Christian, vendido pelo Cruzeiro ao Krasnodar, fecha os cinco primeiros com € 9,6 milhões.
Allan, portanto, não apenas lidera a lista. Seus € 37,5 milhões equivalem a duas vezes e meia o valor da segunda maior negociação.
O ge confirmou que o Manchester City pagará € 37,5 milhões fixos, cerca de R$ 226 milhões na cotação utilizada na operação. Com metas, o pacote poderá chegar a € 40 milhões.
Palmeiras aparece três vezes entre as dez maiores vendas
O dado fica ainda mais significativo quando Allan deixa de ser observado sozinho. Além dele, o Palmeiras colocou outros dois jogadores entre as dez maiores negociações realizadas por clubes da Série A nesta janela.
Kaique foi negociado com o Sporting por € 4 milhões, enquanto Naves deixou o clube rumo ao Necaxa por € 2,6 milhões. Somadas às cifras fixas de Allan, as três operações chegam a € 44,1 milhões.
Isso corresponde a cerca de 36,6% dos € 120,5 milhões movimentados pelos 20 clubes, utilizando novamente a base do levantamento do UOL. Em outras palavras, pouco mais de um terço do valor total da janela passa por apenas três negociações palmeirenses.
O número ajuda a explicar por que o Palmeiras consegue manter uma política agressiva de investimento sem abandonar a geração de receita com jogadores.
A base voltou a resolver uma meta financeira
O Palmeiras havia estabelecido no orçamento de 2026 uma meta de aproximadamente R$ 399,6 milhões em receitas com vendas. Até a negociação de Allan, o clube vinha abaixo desse objetivo porque optou por segurar algumas peças valorizadas durante a temporada.
A saída para o Manchester City mudou rapidamente a conta. Antes mesmo de a transferência ser formalizada, o ge calculava que o Palmeiras havia alcançado aproximadamente R$ 344 milhões em negociações no ano, equivalente a 86% da meta prevista.
O Moon BH já havia mostrado que a diretoria colocou um patamar muito alto para liberar Allan. Em maio, o clube sinalizava que a Cria da Academia só sairia por uma proposta próxima dos € 40 milhões.
O City chegou praticamente ao valor desejado. O acordo fechado prevê € 37,5 milhões garantidos e mais € 2,5 milhões possíveis em objetivos esportivos.
Allan se junta a outras vendas gigantes da Academia

A operação também reforça um padrão que deixou de ser exceção no Palmeiras. Com Allan, o clube passou a ter quatro das 12 maiores vendas realizadas por equipes brasileiras, considerando valores corrigidos no levantamento do ge.
Endrick, Estêvão e Vitor Reis completam a presença alviverde nesse grupo. Todos passaram pela Academia de Futebol antes de gerar negociações de grande porte para o exterior.
O relacionamento com o próprio Manchester City também ficou mais forte. O Moon BH mostrou que o clube inglês poderá chegar a quase € 110 milhões investidos em Gabriel Jesus, Vitor Reis e Allan somando os valores máximos das três operações.
Isso ajuda a entender por que a formação de jogadores ocupa lugar estratégico no modelo financeiro palmeirense. A base não serve apenas para fornecer alternativas a Abel Ferreira, mas também funciona como uma das principais fontes de geração de caixa.
Janela brasileira caiu quase 70%
Existe um último detalhe que torna os 31% ainda mais expressivos. Os € 120,5 milhões arrecadados pelos clubes da Série A representam uma queda de quase 70% em relação à mesma janela de 2025, quando o total chegou a € 399,5 milhões.
O mercado brasileiro vinha de três temporadas consecutivas arrecadando pelo menos € 170 milhões nesse período do ano. Em 2026, apenas Allan conseguiu ultrapassar a barreira dos € 20 milhões.
A venda do Palmeiras, portanto, não foi somente grande dentro da história do clube. Ela aconteceu justamente em uma janela na qual o restante do futebol brasileiro encontrou muito mais dificuldade para exportar jogadores por cifras elevadas.
Quando todos os negócios da Série A são colocados na mesma conta, a dimensão aparece sem necessidade de projeção: de cada € 100 arrecadados pelos 20 clubes na janela, aproximadamente € 31 correspondem somente à transferência de Allan para o Manchester City.


