O Palmeiras voltou da pausa para a Copa do Mundo marcando mais gols por partida do que antes, mas isso não impediu uma queda de quase 24 pontos percentuais no aproveitamento pelo Campeonato Brasileiro. A aparente contradição ajuda a mostrar por que explicar a oscilação alviverde apenas como um “problema ofensivo” simplifica demais o momento vivido pela equipe de Abel Ferreira.
Antes da paralisação, o Palmeiras conquistou 41 dos 54 pontos possíveis no Brasileirão. Era um aproveitamento de 75,92%, nível compatível com uma campanha dominante e que permitiu ao clube construir uma vantagem confortável na liderança.
Depois da retomada, foram 11 pontos em 21 possíveis. O índice caiu para 52,38%, uma diferença de 23,54 pontos percentuais.
Seria natural imaginar que o ataque acompanhou a queda. Os números mostram justamente o contrário.
Palmeiras passou de 1,66 para 2,14 gols por jogo

Antes da Copa, o time marcava em média 1,66 gol por partida no Campeonato Brasileiro. Nos sete jogos realizados depois da paralisação, a média cresceu para 2,14.
Os dados fazem parte de um levantamento publicado pelo ge sobre a queda de rendimento do Palmeiras.
A diferença exige cuidado na interpretação. A média ofensiva foi impulsionada por algumas vitórias largas, incluindo partidas em que o Palmeiras marcou quatro vezes. Isso não significa que a equipe esteja produzindo melhor ofensivamente em todos os jogos.
Significa, porém, que a explicação para a perda de pontos não pode ser reduzida simplesmente à falta de gols.
O Palmeiras passou a marcar proporcionalmente mais e, mesmo assim, venceu menos.
Problema aparece na distribuição dos gols e no controle
Uma das chaves está justamente em como os gols foram distribuídos. Fazer quatro em uma vitória aumenta bastante a média ofensiva, mas os gols excedentes não podem ser transferidos para a rodada seguinte.
No sistema de pontos corridos, vencer por 4 a 0 entrega os mesmos três pontos que vencer por 1 a 0. Por isso, uma equipe pode apresentar números ofensivos melhores no agregado e simultaneamente pontuar menos.
Também houve uma perda de solidez defensiva e de capacidade de controlar diferentes momentos das partidas. Comentaristas ouvidos pelo ge apontaram problemas nos encaixes defensivos, espaços cedidos pelos lados e dificuldades nas coberturas.
É um cenário especialmente significativo porque a solidez sempre foi uma das características mais associadas ao trabalho de Abel.
Queda em casa é ainda maior
A diferença fica muito mais forte quando o recorte considera apenas as partidas como mandante.
Antes da Copa, o aproveitamento alviverde em casa pelo Brasileiro era de 85,18%. Foram sete vitórias e dois empates em nove partidas, sem derrotas.
Depois da pausa, o índice caiu para 44,44%.
No Nubank Parque, o Palmeiras passou a encontrar mais dificuldades justamente no ambiente em que normalmente constrói parte importante de sua vantagem ao longo das competições.
Isso ajuda a explicar por que a liderança começou a ficar ameaçada mesmo sem um colapso ofensivo.
Flamengo reduziu uma margem que chegou a oito pontos
A consequência já aparece na tabela. Há quatro rodadas, o Palmeiras possuía oito pontos de vantagem sobre o Flamengo.
Depois do empate por 1 a 1 com o Mirassol, essa diferença caiu para quatro, e o rival carioca ainda possui uma partida a menos. O Moon já havia identificado anteriormente que o principal risco para o Palmeiras era justamente a redução progressiva da margem de erro.
Os números atuais mostram que essa margem não desapareceu porque o time deixou de marcar.
Ela diminuiu porque o Palmeiras passou a transformar menos partidas em vitórias, sofreu mais para controlar os jogos e concentrou muitos gols em resultados específicos.
O ataque, curiosamente, apresenta uma média melhor do que antes da Copa. O problema do Palmeiras está justamente no fato de que fazer mais gols deixou de significar ganhar mais jogos.


