O Palmeiras enfrenta o Santos nesta quarta-feira (26) sem Paulinho, mas a ausência do camisa 10 tem um componente que vai além de simplesmente acrescentar outro nome à lista de desfalques. O atacante está na fase final de recuperação, e o clube trabalha para tentar tê-lo disponível justamente na partida de volta das quartas de final da Copa do Brasil.
Paulinho iniciou a transição física nos últimos dias e já passou a participar parcialmente das atividades realizadas com o elenco.
O próprio Palmeiras confirmou o avanço da recuperação no sábado (22). Segundo o UOL, o confronto de volta contra o Santos é tratado como o objetivo para sua retomada competitiva.
A situação cria uma escolha importante para a comissão de Abel Ferreira: acelerar a utilização de um jogador tecnicamente valioso ou aumentar as chances de recebê-lo em melhores condições justamente quando a classificação estiver em jogo.
Paulinho já voltou a trabalhar com o elenco
A recuperação entrou em uma etapa diferente.
Depois de realizar atividades separadas, Paulinho passou a participar de trabalhos ao lado dos companheiros. Isso não significa que esteja imediatamente disponível para uma partida oficial, porque a transição física ainda envolve avaliações de carga, resposta muscular e intensidade.
O histórico do camisa 10 explica a cautela.
No início de agosto, o Moon BH mostrou que Paulinho já havia perdido 87 partidas do Palmeiras por questões físicas. Na ocasião, o problema diagnosticado era no músculo adutor da coxa direita.
Sua última participação oficial aconteceu em 26 de julho, contra o Atlético-MG, quando o Palmeiras perdeu por 2 a 1 pelo Campeonato Brasileiro.
Desde então, Abel precisou reorganizar novamente o setor ofensivo.
Abel já adotou cautela semelhante durante a temporada

Controlar a utilização de Paulinho não é uma estratégia criada para o clássico contra o Santos.
Em maio, o Moon BH detalhou por que Abel Ferreira evitava transformar o camisa 10 imediatamente em titular. O atacante vinha de mais de 300 dias afastado e precisava aumentar gradativamente sua capacidade de suportar partidas de alta intensidade.
Mesmo quando entrou bem, a comissão resistiu à pressão por uma utilização maior.
O objetivo era impedir que a necessidade de curto prazo colocasse em risco um jogador contratado justamente para ser determinante durante várias temporadas.
Essa lógica reaparece agora. A diferença é que o Palmeiras está diante de um mata-mata e possui uma data competitivamente muito mais valiosa no horizonte.
Retorno permitiria mudar o ataque na volta
Ter Paulinho disponível não obrigaria Abel a colocá-lo entre os titulares.
Mesmo entrando no segundo tempo, o camisa 10 pode oferecer características que mudam o comportamento ofensivo da equipe. Ele consegue ocupar espaços entre as linhas, atacar a área partindo de trás e se movimentar sem permanecer preso como referência central.
Sua presença também interfere na maneira como outros jogadores podem ser utilizados.
Durante a intertemporada, o Moon BH mostrou como Paulinho poderia até modificar a função de Andreas Pereira. Em um jogo-treino contra o Mauaense, o atacante marcou duas vezes enquanto Andreas participou diretamente de três gols.
Naturalmente, um treinamento não pode ser comparado ao nível de exigência de uma decisão da Copa do Brasil. O exemplo serve, porém, para mostrar como a presença do camisa 10 aumenta as combinações disponíveis para Abel.
Palmeiras já administrou vantagem antes na Copa do Brasil
O Verdão sabe o valor de construir um bom primeiro resultado.
Nas oitavas, o clube derrotou o Fortaleza por 3 a 0 no primeiro jogo e conseguiu avançar mesmo sofrendo uma derrota por 3 a 2 na volta. O Moon BH mostrou como a vantagem permitiu ao Palmeiras confirmar a classificação apesar do tropeço.
Contra o Santos, não existe essa margem inicial.
O Palmeiras precisa construir o confronto sem Paulinho e evitar que a expectativa sobre sua recuperação transforme o jogo de volta em uma espécie de solução antecipada.
Se o atacante estiver liberado, Abel ganhará uma opção importante exatamente no momento decisivo. Se não estiver, a comissão dificilmente colocará em risco uma recuperação que já exigiu diferentes períodos de cautela.
Por isso, a ausência desta quarta-feira não deve ser observada isoladamente. O Palmeiras está abrindo mão de usar Paulinho na primeira oportunidade possível para tentar ganhar algo potencialmente mais valioso: o camisa 10 em condições de interferir diretamente na partida que decidirá uma vaga na semifinal.


