O Palmeiras entra em campo contra o Santos nesta quarta-feira (26) com uma novidade que deveria ter aparecido alguns dias antes. A nova terceira camisa azul do clube tem estreia prevista para o clássico da Copa do Brasil depois de seu uso no Campeonato Brasileiro ter sido adiado por solicitação da CBF.
O motivo não envolveu uma irregularidade comercial no uniforme ou uma simples semelhança com as cores do adversário.
A questão foi tecnológica.
Segundo a entidade, existia preocupação relacionada ao funcionamento do sistema de impedimento semiautomático utilizado no Campeonato Brasileiro. Com isso, o Palmeiras precisou abandonar o plano original de colocar a nova peça em campo na rodada anterior.
A mudança transformou o clássico contra o Santos em uma estreia com um contexto bastante incomum.
Por que a CBF pediu para Palmeiras não usar a camisa?
A explicação passa pelo modo como a nova tecnologia identifica os atletas em campo.
O impedimento semiautomático utiliza câmeras e softwares para mapear a posição dos jogadores e auxiliar a arbitragem na definição dos lances. Elementos visuais dos uniformes precisam oferecer condições adequadas para essa leitura.
Ao explicar o adiamento, o ge informou que o pedido da CBF estava ligado justamente a questões técnicas relacionadas à tecnologia do impedimento semiautomático.
O episódio mostra como a modernização da arbitragem começa a produzir efeitos em detalhes que anteriormente pertenciam praticamente apenas aos departamentos de futebol e marketing dos clubes.
Nova camisa celebra as raízes italianas
A escolha do azul pode parecer incomum para um clube historicamente identificado pelo verde, mas faz parte do conceito criado para a coleção.
O uniforme foi desenvolvido para celebrar as raízes italianas do antigo Palestra Italia.
A peça utiliza elementos históricos relacionados à formação do clube e apresenta uma identidade visual diferente da usada normalmente pelo Palmeiras.
Esse tipo de lançamento tem também uma dimensão comercial importante.
O uniforme palmeirense se transformou nos últimos anos em um ativo valioso. O Moon BH já mostrou como o clube busca ampliar suas receitas com espaços comerciais na camisa e como contratos de patrocínio podem levar o uniforme a valores cada vez maiores.
Uma terceira camisa, portanto, não funciona apenas como alternativa esportiva. É também um novo produto para torcedores e patrocinadores.
Estreia ocorre em momento importante da Copa do Brasil
O lançamento em campo acontece em meio a uma fase importante da temporada.
O Palmeiras chegou às quartas depois de eliminar o Fortaleza, confronto no qual construiu uma vantagem confortável na primeira partida e confirmou a classificação mesmo após perder o duelo de volta.
O Moon BH mostrou como o Palmeiras garantiu a vaga nas quartas da Copa do Brasil e quais times continuavam vivos na disputa pelo título.
Agora, o nível de dificuldade sobe novamente com um clássico paulista.
A Copa do Brasil também vem oferecendo a Abel Ferreira oportunidades para administrar o elenco em meio à disputa simultânea de outras competições. No primeiro semestre, o treinador já utilizou formações alternativas em partidas do torneio, cenário analisado pelo Moon BH após uma vitória do Palmeiras na competição.
Contra o Santos, porém, o peso da eliminatória reduz o espaço para experimentos.
Tecnologia começa a interferir até na escolha do uniforme
O episódio deixa uma curiosidade sobre a transformação da arbitragem brasileira.
Durante décadas, a principal preocupação na escolha dos uniformes era garantir contraste suficiente entre as equipes, os goleiros e os árbitros.
A chegada de tecnologias capazes de mapear automaticamente os jogadores adicionou uma nova variável. Agora, a roupa precisa ser facilmente identificada não apenas pelo olho humano, mas também pelas câmeras e softwares utilizados durante a partida.
Isso ajuda a explicar como uma camisa já produzida, apresentada ao público e liberada comercialmente pode ter sua estreia alterada por uma necessidade relacionada à arbitragem.
No caso do Palmeiras, o adiamento acabou criando um lançamento ainda mais chamativo.
A camisa inspirada nas raízes italianas do clube chega ao campo em um clássico contra o Santos e durante uma eliminatória da Copa do Brasil. Uma estreia inicialmente alterada pela tecnologia que ganhou um palco esportivo maior do que o originalmente planejado.


