O Palmeiras encontrou uma maneira pouco convencional de preparar a classificação contra o Cerro Porteño pela Libertadores: colocou o próprio adversário para treinar dentro da Academia de Futebol.
Não literalmente, é claro.
Antes da partida decisiva no Paraguai, a comissão técnica de Abel Ferreira utilizou jogadores das categorias de base para reproduzir características do Cerro Porteño durante as atividades do elenco profissional.
Os jovens receberam funções semelhantes às que os paraguaios apresentariam no jogo e ajudaram os titulares a ensaiar movimentos específicos para o confronto.
Depois da vitória por 1 a 0 que garantiu vaga nas quartas de final, Abel revelou a participação dos garotos e anunciou uma recompensa: eles receberiam bônus dobrado pelo trabalho realizado na preparação.
Base do Palmeiras virou adversário nos treinamentos
Normalmente, as categorias de base são lembradas pela função mais evidente dentro de um clube: formar jogadores para o time profissional.
No Palmeiras, porém, a integração também aparece de outras formas.
A comissão de Abel utilizou atletas do sub-20 para montar uma equipe capaz de simular comportamentos do Cerro Porteño. A atividade permitiu aos profissionais enfrentar situações semelhantes às esperadas para a partida antes mesmo da viagem a Assunção.
João Gabriel foi um dos jogadores citados entre os participantes do processo. O jovem já vinha mantendo contato com o elenco principal e faz parte de uma geração acompanhada de perto pela comissão técnica.
A estratégia também não surgiu agora. O Palmeiras já havia recorrido a uma dinâmica semelhante em preparação anterior para uma partida decisiva.
Trabalho ganhou recompensa após classificação
O Palmeiras enfrentou dificuldades diante do Cerro Porteño.
Depois do empate por 1 a 1 na primeira partida, o Verdão precisava vencer no Paraguai para evitar uma decisão por pênaltis. Gustavo Gómez marcou de cabeça ainda no primeiro tempo e garantiu o triunfo por 1 a 0.
Com a vaga assegurada, Abel fez questão de destacar jogadores que sequer apareceram na súmula como protagonistas da preparação.
A decisão de dobrar o bônus dos jovens funciona como reconhecimento por uma tarefa que normalmente permanece invisível para o torcedor.
Eles não entraram em campo para marcar, defender ou dar assistência. Mesmo assim, tiveram influência na maneira como os profissionais chegaram preparados ao confronto.
Palmeiras usa a Academia para além das vendas milionárias
Nos últimos anos, a base do Palmeiras ganhou projeção principalmente pelas revelações que chegaram ao profissional e posteriormente movimentaram cifras elevadas no mercado internacional.
A utilização desses jogadores como apoio direto à preparação do elenco mostra outra dimensão do projeto.
Os atletas passam a conviver com exigências táticas do profissional antes mesmo de serem efetivamente promovidos. Ao reproduzir movimentos de um adversário de Libertadores, por exemplo, um jovem precisa interpretar instruções, ocupar espaços específicos e entender conceitos exigidos pela comissão principal.
Para Abel, o benefício funciona nos dois sentidos.
O profissional recebe um grupo mais qualificado para realizar atividades direcionadas. A base, por sua vez, oferece aos jovens uma experiência mais próxima da rotina e das cobranças encontradas no time de cima.
Vitória teve participação de quem não entrou em campo
Gustavo Gómez será registrado como autor do gol que classificou o Palmeiras. Os números da partida também destacarão os jogadores que efetivamente atuaram no Paraguai.
Nos bastidores, porém, a preparação contou com uma equipe que nunca enfrentou oficialmente o Cerro Porteño.
Durante alguns treinamentos na Academia, os jovens tiveram justamente essa missão.
Transformaram-se temporariamente no adversário, ajudaram Abel a testar soluções e receberam do treinador um reconhecimento pouco habitual depois da vaga conquistada.
No Palmeiras, a base não serviu apenas para revelar o próximo jogador do elenco profissional.
Desta vez, ajudou a preparar os que já estão lá.


