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Palmeiras recusa R$ 175 milhões e mantém desafio financeiro

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O Palmeiras recusou uma investida do Aston Villa, da Inglaterra, pelo meia-atacante Allan. Os valores poderiam chegar a 30 milhões de euros, aproximadamente R$ 175,6 milhões, e ajudariam o Verdão a se aproximar da ambiciosa meta de arrecadação com transferências estabelecida para 2026.

O clube inglês sinalizou uma composição de 25 milhões de euros fixos, cerca de R$ 146 milhões, e outros 5 milhões de euros, aproximadamente R$ 29 milhões, vinculados a bonificações. Mesmo diante de uma oferta capaz de mudar o cenário financeiro da temporada, o Palmeiras informou que não pretendia negociar o jogador.

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A decisão mostra que a diretoria colocou o planejamento esportivo à frente da necessidade de cumprir imediatamente a projeção orçamentária. Allan é considerado uma peça importante para Abel Ferreira e tem contrato com o Palmeiras até dezembro de 2029.

Quanto a oferta representaria para o Palmeiras?

O orçamento aprovado pelo Palmeiras prevê uma arrecadação de R$ 399,6 milhões com negociações de jogadores em 2026. Esse valor representa aproximadamente um terço dos R$ 1,2 bilhão em receitas projetadas pelo clube para toda a temporada.

Somente os R$ 175,6 milhões sinalizados pelo Aston Villa representariam quase 44% de toda a meta anual de vendas. Na prática, uma única negociação resolveria uma parcela significativa do compromisso financeiro assumido pelo departamento comandado pela presidente Leila Pereira.

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Até maio, o Palmeiras havia reconhecido cerca de R$ 78 milhões em receitas com transferências de atletas. Caso todo o valor da proposta por Allan pudesse ser contabilizado, o total chegaria a aproximadamente R$ 253,6 milhões, equivalente a 63,5% da meta estipulada para 2026. Ainda restariam cerca de R$ 146 milhões.

O cálculo, porém, é apenas uma projeção. Parte da oferta estaria condicionada ao cumprimento de metas, enquanto o reconhecimento contábil de uma transferência também depende das condições de pagamento, dos direitos econômicos envolvidos e da forma como o negócio é estruturado.

Ainda assim, o tamanho da investida ajuda a entender o peso financeiro da decisão tomada pelo Palmeiras.

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Palmeiras quer mais por Allan

O jogador Allan, da SE Palmeiras
O jogador Allan – Foto: Cesar Greco/Palmeiras/by Canon

O Aston Villa não recebeu abertura para avançar nas conversas. Allan está entre os jogadores que o Palmeiras pretende manter para a sequência do Campeonato Brasileiro, da Libertadores e da Copa do Brasil.

O recado enviado ao mercado é que uma possível negociação só seria discutida por uma quantia considerada fora dos padrões. Nos bastidores, o Palmeiras trabalha com uma avaliação de pelo menos 45 milhões de euros, cerca de R$ 285 milhões, para começar a analisar uma transferência.

Uma venda por esse valor corresponderia a mais de 70% da meta anual de negociações do clube. Além de aliviar o orçamento, o negócio colocaria Allan entre as maiores transferências da história do Palmeiras.

A diferença entre os 30 milhões de euros sinalizados pelo Aston Villa e os 45 milhões desejados pelo Verdão é de 15 milhões de euros, aproximadamente R$ 87 milhões. Para a diretoria, manter o jogador também pode representar uma aposta em nova valorização.

Allan tem 22 anos, foi formado nas categorias de base e não exigiu um investimento em transferência para chegar ao elenco profissional. Por isso, uma eventual venda produziria uma margem elevada para o clube, descontados comissões, mecanismos de solidariedade e outros custos envolvidos.

Recusa aumenta pressão por outras vendas

Ao fechar a porta para a saída de Allan, o Palmeiras mantém o desafio de buscar receitas por meio de outros atletas.

O clube começou o ano negociando nomes como Facundo Torres e Aníbal Moreno, além de ter recebido valores relacionados a outras operações. Mesmo assim, o montante reconhecido até maio ainda estava distante da meta de R$ 399,6 milhões.

A estratégia atual é preservar os principais jogadores de Abel Ferreira e encontrar destinos para atletas com menos espaço. O problema é que jogadores considerados reservas dificilmente atraem propostas próximas aos valores apresentados por Allan.

O Palmeiras também recusou uma oferta de 20 milhões de euros, aproximadamente R$ 116 milhões, do Spartak Moscou por Flaco López. O argentino terminou a Copa do Mundo valorizado e é tratado como uma das peças centrais do ataque alviverde.

Somadas, as investidas por Allan e Flaco se aproximariam de R$ 292 milhões. O valor seria suficiente para encaminhar grande parte do planejamento financeiro, mas provocaria uma perda esportiva importante durante uma temporada em andamento.

Meta de vendas não significa obrigação imediata

Presidente do Palmeiras, Leila Pereira
Leila Pereira – Foto: Cesar Grecco / Palmeiras

A projeção de R$ 399,6 milhões funciona como uma referência do orçamento, e não como uma obrigação que precisa ser alcançada em uma única janela de transferências.

O Palmeiras pode compensar um desempenho abaixo do esperado nas vendas com receitas superiores em outras áreas, como premiações, bilheteria, patrocínios, direitos de transmissão e participação em competições internacionais. Também existe a possibilidade de reduzir despesas previstas.

O cenário financeiro, entretanto, merece atenção. Até maio, o clube registrava receita total de R$ 503 milhões e déficit acumulado de R$ 65,9 milhões. A ausência de uma grande venda ajuda a explicar a diferença entre o resultado previsto e o realizado nos primeiros meses do ano.

A situação não representa uma crise imediata. Em 2025, o Palmeiras alcançou R$ 653,2 milhões em receita bruta com transferências, impulsionado por negociações como as de Estêvão e Vitor Reis. O desempenho excepcional também elevou a base utilizada na elaboração do orçamento seguinte.

Escolha esportiva pode render mais no futuro

Recusar R$ 175 milhões parece contraditório diante de uma meta que depende fortemente da venda de atletas. A diretoria, porém, entende que desmontar o time no meio da temporada também pode gerar prejuízos.

A saída de Allan reduziria as opções de Abel Ferreira, obrigaria o clube a buscar um substituto e poderia afetar o desempenho nas principais competições. Avançar em torneios oferece premiações, bilheterias e exposição comercial que também alimentam o orçamento.

O Palmeiras escolheu assumir o risco. Em vez de aceitar uma proposta capaz de cobrir 44% da meta de vendas, decidiu preservar um dos ativos mais valorizados do elenco e esperar uma oferta maior.

A conta agora dependerá do desempenho esportivo, da negociação de jogadores menos utilizados e de novas investidas do mercado internacional. Caso o Aston Villa ou outro clube se aproxime dos 45 milhões de euros desejados, a posição do Verdão poderá ser novamente colocada à prova.

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Anna Millard
Anna Millard
Jornalista pela Universidade Federal de Ouro Preto. Tem experiência em jornalismo esportivo, cidades e economia. Passou pelo setor público em assessoria de comunicação e assessoria de imprensa.