HomeEsportesPalmeirasPalmeiras: Crise no Santos pode abrir oportunidade de mercado para o Verdão

Palmeiras: Crise no Santos pode abrir oportunidade de mercado para o Verdão

Publicado em

A crise financeira do Santos pode criar uma oportunidade inesperada para clubes como o Palmeiras na atual janela de transferências. Com pagamentos pendentes ao elenco, o Peixe corre o risco de ver jogadores solicitarem a rescisão dos contratos na Justiça e ficarem livres para negociar com outras equipes do futebol brasileiro.

O problema chegou a três meses de direitos de imagem atrasados na última segunda-feira (20). Um dia depois, a diretoria santista quitou uma das parcelas, mas ainda deixou outros dois meses em aberto. O clube pretende apresentar aos atletas um cronograma para regularizar toda a pendência até o fim de julho. 

- Publicidade -

Apesar de o cenário permitir que rivais acompanhem a situação, não existe, até o momento, informação sobre uma proposta ou negociação do Palmeiras por um jogador específico do Santos. A possibilidade surge porque uma eventual rescisão indireta permitiria a contratação sem o pagamento de compensação financeira ao clube da Vila Belmiro.

Para o Palmeiras, que normalmente busca oportunidades para fortalecer o elenco sem comprometer o orçamento com valores elevados, a movimentação dos bastidores santistas merece atenção. O risco para o Santos, por outro lado, vai além da perda esportiva: o clube pode deixar de receber por atletas que possuem valor no mercado e ainda ser obrigado a arcar com novas dívidas trabalhistas.

Santos ainda deve dois meses de direitos de imagem

O Santos chegou ao início desta semana devendo três meses de direitos de imagem a grande parte do elenco profissional. A diretoria conseguiu pagar uma parcela na terça-feira, antes da vitória por 4 a 1 sobre a Universidad Central, da Venezuela, pela Copa Sul-Americana.

- Publicidade -

A quitação parcial diminui o tamanho imediato da pendência, mas não elimina o risco jurídico. Os outros dois meses continuam em aberto, e ainda não existe uma data divulgada para que todo o débito seja pago.

De acordo com a diretoria santista, um novo planejamento será apresentado ao grupo depois do retorno da delegação ao Brasil. A intenção é construir um cronograma que permita a regularização dos pagamentos até 31 de julho.

A situação provocou uma reunião entre representantes do elenco e integrantes do departamento financeiro. Os jogadores cobraram explicações e uma solução mais clara para os atrasos, enquanto a gestão reconheceu que enfrenta dificuldades para gerar receitas.

- Publicidade -

O diretor-executivo Alexandre Mattos admitiu publicamente o momento delicado e colocou o pagamento das obrigações internas como prioridade.

“Não podemos pensar em pagar transfer ban e não arrumar aqui dentro. Prioridade é manter a casa em ordem”, declarou o dirigente.

Jogadores podem buscar rescisão na Justiça

A Lei Geral do Esporte estabelece que o atraso de salários, direitos de imagem, depósitos do FGTS ou contribuições previdenciárias por dois meses pode permitir que um atleta solicite a rescisão do contrato por culpa do empregador.

Existe, entretanto, uma discussão jurídica sobre a aplicação da Lei Geral do Esporte ou da antiga Lei Pelé, que considerava um período de três meses. A interpretação pode depender da data em que o contrato foi assinado e das normas citadas no próprio documento.

Mesmo depois do pagamento realizado pelo Santos, os dois meses restantes ainda mantêm o clube em uma situação preocupante. Caso um jogador obtenha a rescisão indireta, ele poderá deixar a Vila Belmiro sem que o novo clube precise negociar uma taxa de transferência.

O atleta também poderá cobrar a chamada cláusula compensatória. Na prática, o Santos poderia ser obrigado a pagar os salários previstos até o fim do contrato, além de perder o jogador sem receber pela transferência. 

O problema, portanto, pode provocar um prejuízo duplo. Além de enfraquecer o elenco durante a temporada, uma possível saída judicial aumentaria o passivo financeiro de uma instituição que já possui uma dívida superior a R$ 1 bilhão. 

Palmeiras poderia contratar mesmo após limite de jogos

Outro ponto que chama a atenção dos rivais é a possibilidade de utilizar imediatamente um jogador que deixe o Santos por causa dos atrasos.

Em condições normais, o regulamento do Campeonato Brasileiro estabelece limites para que um atleta defenda dois clubes na mesma edição. A Lei Geral do Esporte, porém, cria uma exceção para jogadores que tenham seus contratos rescindidos em razão do inadimplemento do empregador.

O parágrafo quarto do artigo 90 permite que o profissional se transfira independentemente do número de partidas disputadas na competição. Ele também pode participar do campeonato em andamento, desde que o novo registro seja realizado dentro do prazo estabelecido para inscrições. 

Isso significa que o Palmeiras ou qualquer outro clube da Série A poderia contratar um atleta desligado judicialmente do Santos, mesmo que ele já tivesse ultrapassado o limite tradicional de jogos pelo Peixe.

A regra transforma a crise santista em um ponto de atenção no mercado. Times que ainda procuram reforços podem acompanhar as decisões dos jogadores e de seus representantes, especialmente diante da possibilidade de concluir uma contratação sem pagar pela liberação.

Palmeiras ainda não fez investida por jogadores do Santos

Foto: Cesar Grecco – Palmeiras

Embora o nome do Palmeiras apareça naturalmente entre os clubes capazes de aproveitar uma oportunidade desse tipo, não existe confirmação de contato com jogadores do Santos motivado pelos atrasos.

O cenário deve ser tratado como uma possibilidade de mercado, e não como uma negociação em andamento. Para qualquer avanço, um atleta precisaria decidir entrar na Justiça, conseguir o encerramento de seu vínculo e, somente depois, negociar livremente com uma nova equipe.

O Palmeiras também precisaria analisar aspectos esportivos e financeiros. Um jogador livre não representa necessariamente uma contratação sem custos, já que ainda existem salários, direitos de imagem, luvas, comissões e possíveis valores pedidos pelos representantes.

Mesmo assim, a ausência de uma taxa de transferência pode tornar determinadas operações mais acessíveis. O clube alviverde poderia direcionar recursos que seriam pagos ao Santos para a composição do contrato com o atleta.

- Publicidade -
Anna Millard
Anna Millard
Jornalista pela Universidade Federal de Ouro Preto. Tem experiência em jornalismo esportivo, cidades e economia. Passou pelo setor público em assessoria de comunicação e assessoria de imprensa.